Coquetel Poético


vê só, ando num silêncio quente,
caminho como quem tateia no escuro,
asas abertas à noite, cintilando movimentos,

é que tem vez que é tão difícil dizer coisas...

ando também agressiva com as palavras,
e elas cada vez mais tão profundamente delicadas em mim,

corte no corpo

um vermelho de palavras
parindo dores que sepulto sempre,
mas um leve toque à superfície
vem aquela coisa tão boa e alegre
e transporta e transmuta toda palavra
numa caligrafia de desejos na pele
que nem consigo dizer coisa alguma...

um bater de asas
e a dança de pó colorido de vôos
de véus, de sol varando a escura idade...


Escrito por Alessandra Espínola às 07:19
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sussurros:

silêncio e cintilância
som de flores d'água

desabrochando na
superfície do tempo

Escrito por Alessandra Espínola às 10:03
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poema triste:

é beco
a sombra chega

cinzamente
se esgueirando

nos umbrais
da boca

Escrito por Alessandra Espínola às 11:04
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Em abril III

A vida em festa

ornamentou o céu

amarelo sobre lilás,

remansoso o mar

deitou-se sobre areia

para amar uma mulher

nascida em abril.

Escrito por Alessandra Espínola às 17:53
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Em abril II

Empoeirada manhã,

cheiro de sol guardado

nas folhas de outono

despertando em abril.


Escrito por Alessandra Espínola às 17:14
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[Desejo...]

Desejo o sorriso de asa

e vôo raso de sol,

um nítido na escuridão

um rútilo poema

na sombra crepuscular

do meu porão.


Escrito por Alessandra Espínola às 13:30
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em abril...

chuva tardia de verão

abriu silêncio íntimo de outono,

vida nítida sobre sonho

Escrito por Alessandra Espínola às 11:08
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Penumbra púrpura

fonte teu fundo

flor fulva de sol

teu sorriso de sombra.


Escrito por Alessandra Espínola às 18:24
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vem lá do confim

borboleta-bruxa,

um marrom purpurinado de prata,

pousa no topo

da flor,

por um instante,

vira dama da noite

no noturno do meu jardim

Escrito por Alessandra Espínola às 11:27
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às vezes, é só sem dor,
sem frio, nem calor
sem fome, sem som de nada,
nem vozes nem fotos antigas
não mais sangue,
é uma coisa sem nome

Escrito por Alessandra Espínola às 10:56
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I

Pássaros empalhados de ventos

tecem ninhos no cabelo das árvores,

onde piam silêncios.


II

beija a flor

fluindo na ciranda das pétalas,

colibri dançarino dentro da casa.


III

Aguadouro de silêncios,

Moringa guarnecida de pétalas

E um alguidar entocado de pássaros.


Escrito por Alessandra Espínola às 12:44
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nesse crepúsculo
lhe preparo um incendiado
de palavras.
recolho as amêndoas mais frescas,
sento-me à sombra da amendoeira
na rua da ladeira, pensativa, dilacerada
e olho a colina
as casas, os homens e suas solidões no alto.
depois da colina um mundo que urge, gane, grita...
silenciosa, planto uma ilha sobre raízes
lodo, algas à beira dos passos
afago um pássaro no galho
e um cão que se deita ao meu lado.
Anoitece.
Na hora exata
o de dentro das amêndoas
explode no meu palato
e tomada de sonho e seiva
a auréola da lua se expande farta
uma poesia de sol fremente nos lábios
e no esconderijo, grito-vôo de pássaro.

Tempo de ouvir suas canções
de contemplar luares
cobrir-me de relento
e amanhecer de repente
dentro de barcos
com remos e cascos
em busca do ancoradouro
dos teus lábios.



Escrito por Alessandra Espínola às 12:36
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[anoitecer...]

anoitecer prematuro

de sombras,

forma de algas,

adocicados aromas

e uma tarde (de março)

espargida na praia

plena de verão.

Escrito por Alessandra Espínola às 15:19
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lírica

sobre meus lábios

a lua, a noite

e teu hálito cálido

~~

sobre tua face

girassóis de março

e uma tarde baça



Escrito por Alessandra Espínola às 14:17
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revi os silêncios
rumorejando a madrugada
todos bêbados procurando a lua,
o chão, as chaves
nas mãos,
revi a trama das palavras,
seus ardis
e a asa de luz que arde
flama sem repouso
chama consumindo o ar o espaço
e eu a um passo
(do confim)
desse Eu Outro em Mim


Escrito por Alessandra Espínola às 09:40
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enguia elétrica
dentro da água
corrente

língua de serpente
dentro do fundo
barrento da gente

o poema

Escrito por Alessandra Espínola às 14:02
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dentro da flor

fulva , silenciosa cerda

alvura ensolarada se abrindo

no horizonte da pétala

Escrito por Alessandra Espínola às 08:42
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o bico aberto do tempo
na casa de alpistes
alimenta fome sede sonho de vôos

ar e terra,
asas desabrochando
ninhos de primaveras!



Escrito por Alessandra Espínola às 10:18
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[infinitude]

É infinita uma tarde
de domingo,
é infinita a noite
antes da lâmina,
é infinito o sulco do corte,
é infinita a manhã
depois do grito,
é infinito saber-me
vago ponto no espaço
repetido, alongado
gesto de mão
que segura o ar,
o aço.

Escrito por Alessandra Espínola às 14:52
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[ave palavra]

Ave palavra!

asa da crisálida

a roçar o céu da boca

e depois do passo nos ares?

dos pares de asas?

depois, aflição de ser pássaro

vôo , brisa dentro da casa.

Escrito por Alessandra Espínola às 09:24
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Lanço nos ares o pássaro aflitivo

Sobrevoa os abismos,

Arfante, ainda não trouxe o ramo no bico.


Escrito por Alessandra Espínola às 10:05
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No silêncio do roxo-azulado

o peito apunhalado sangra

um incêndio o céu da tarde,

e o grito lacrado do pássaro sem nome

sepultando o branco dos olhos

calcinando a face.

Escrito por Alessandra Espínola às 11:33
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Face de flores no sonho

um ser inominável, pés nebulosos

fibra intocável sem membros,

Na ponta da faca

o fel e a gota infinita do tempo

depois do feixe de luz na janela

e dessa febre anunciada

o zunido da lâmina cortanto o ar

o espaço

minha morada.

Escrito por Alessandra Espínola às 09:09
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a dor atropela-me

na rua dos fundos,

na infinitude da noite

o escuro cortante

segue , sangra

em golpes invisíveis,

espasmos no vazio do ventre

fala a voz do silêncio

faz o escambau

passa por todo o dentro de mim

o abismo,

é assim que é.

Escrito por Alessandra Espínola às 08:25
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poemas de estação 4

som, risos e lua da tarde
a noite não adormecia,
só risos...

***

finda noite primaveril,
o cheiro de jasmim
buli impassível
nos campos de mim

***

é lua nova
no (des) caminho
o menino
com a velha solidão

***

anjos...
com asas trançadas de sonhos
se metem à besta,
metamorfoseiam-se

***

no meio do lago
pedra n’água
não cessa, não cessa
a onda larga

Escrito por Alessandra Espínola às 11:49
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poemas de estação 3

piás,
azucrinam crepúsculos
manhãzinha...
arrulham-se na gostosura das horas

***

na transparência das rosas
o reflexo da prímula
buliçosa sombra da guria
tarda lua

***

férias da estação
sonhos de papo pro ar
nuvens na cabeça
e o mundo nas mãos

***

manhã de primavera
sem bater asas,
pássaro voou

***

entre fios
do sol de cobre
se coça a relva,
apontada para o nascente
bronzeia as horas

Escrito por Alessandra Espínola às 09:16
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poemas de estação 2


manhã lisa,
sabiás cantam valsa,
no capim molhado,
angorá se alisa

***

vento na garupa
a garota pedala,
alada...
de bicicleta

***

eram rastros seus cabelos
no silêncio, o interstício
música tamborilando no peito
corporal_mente, ventos
alísios e contra-alísios

***

vôo solo
pardal (ex) palha
silêncio no ninho,
no céu, estio

***

a saia da menina
abanava em leque,
era brisa cheia de sol
formigava o rosto do moleque

Escrito por Alessandra Espínola às 14:18
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poemas de estação

(aos adolescentes)


das mangas precipitadas no mato

soçobravam os olhos do menino só

sobravam bagaços

~~~~

à tarde,

passarinhada abriga o pôr do sol

debaixo das asas

de madrugada,

serenata

~~~~

sua vez

beijos, beijos...

suaves

~~~~

carrapicho no pé

fruto da meninice...

dos dias em que se caçava grilos

e se acendia o nariz com girassol

~~~~

andorinha

passeia no azul celeste

depois do arco-íris,

a paz


Escrito por Alessandra Espínola às 08:58
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Alguma coisa é gerada no ventre da noite, na contração do mar, e urgentemente. De cócoras, me pede pra não morrer.
Assim como eu, acho que o que escrevo não chega a ser, é sempre, apenas, intenção.

Me lambe o recife dos teus olhos, cintilâncias, transparências e névoas, quando não me dou mais conta, estou ao fundo, areia encharcada de água e sal, mergulhada em águas desconhecidas que me levam para perto de...
Desancorada resvalo-me em horizonte alheio, percorro meus olhos para onde teu olhar viaja, e me leva teu mar, me aporta em terras ainda não visitadas, então eu te visito e, é aí também, que sou revisitada.

Me umedece a macieza verde do teu olhar, frondosa árvore entre sombras e trepadeiras, coisas-bosques suaves e latejantes que se entrelaçam num silencioso desenrolar-se de galhos retorcidos e seiva numa atmosfera entre nervuras de folhas e gotas de orvalho, verdíssimas e acarpetadas. Tomara pudesse cravar minhas raízes em tuas terras, adentrar veios, desviver semente e me aninhar no caroço da Terra.



Escrito por Alessandra Espínola às 07:49
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Em três tempos


Esse é o tempo,

das árvores construírem

ninhos nas mãos.


***


O menino ancora

a vida nas memórias

e brinca nas espumas do tempo.


***


A borboleta chega tarde

para o encontro,

e tão cedo tem que partir.




Escrito por Alessandra Espínola às 08:01
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Frige quando é poesia

é quase dor,

ar_dor.

Desejo,

é que dançam

salamandras no peito.



Escrito por Alessandra Espínola às 12:21
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Um ser de tardes

Se debruça sobre a carnadura do poço,

Seu feixe de luz transpassa

a folha de amianto,

cava funduras móveis

até ao oculto branco do osso,

Nascer também é para dentro?



Escrito por Alessandra Espínola às 08:27
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Do Livro "fragmentos do silêncio"
(versos esparsos)

de André Boniatti

XXVII

barro é o homem,
ar nos pulmões e fogo no coração

XXVIII

repouso no caos,
movimento e processo,

CXLVII

espero por deus como quem não tivesse dinheiro para
voltar,

~~~

mais do autor: http://www.recantodasletras.com.br/autores/poiesismorias

Escrito por Alessandra Espínola às 12:14
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Vento na janela
Serenata
À flor amarela

~~~

Gritos de pássaro,
Noite assustada
Chove

~~~

Vaga lume
Na centro da sala
Vaga lua

~~~

Volta e meia,
É meia lua
A noite inteira.


Escrito por Alessandra Espínola às 10:37
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Não nego ser pedra de cais
Nem pétala lançada ao mar.
Face de gumes,
Traço caminhos de pó e sol
Sal e algas.
Corpo de espumas,
Som ancestral de guelras
Navego névoa
Alimento lumes,
águas.



Escrito por Alessandra Espínola às 10:45
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Minha angústia

É vaga

Epiléptica silenciosa

Momento de nume do nada

***

Vida é atropelo

Choque íntimo e confuso de carnes

Distorção de fábulas

Memórias, espetadela de fuso

Desenredo de fadas.


Escrito por Alessandra Espínola às 09:43
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Ele brinca tanto que vira coisa séria, o "musicopoeta" Nelson Luiz de Oliveira nos proporciona momentos de beleza, alegria, poesia e prazer. A imagem , o som e a palavra são os brinquedos desse nosso amigo matreiro, que vive fazendo Arte!

No link abaixo, o "Vôo Poético" e mais três vídeos do lançamento de seu recente Cd "Linguagens".

http://br.youtube.com/results?search_query=oliveiranelson

Escrito por Alessandra Espínola às 14:14
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Atrás dos cúmulos de pálpebras
Os raios da íris
Atingem a superfície das lágrimas,
Do sonho ; suor e sumo.
Do abismo que se abre
À tona o Outro,
O que há , por exemplo,
Entre setembro e outubro e
agosto e setembro?
Entre o espelho e o rosto,
A terra e a ilusória lona azul do firmamento?


Escrito por Alessandra Espínola às 08:06
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Poema I

poema é pupa
vocábulo desdobrável
do casulo,
asa da crisálida
a acariciar o céu da boca

~~~~~~~~~~~~

Poema II

Mar retinto de amoras
Jardim cercado de arco-íris
Dentro: dança emancipada de flores
E polens, frágil colorido das horas.

~~~~~~~~~~~~

Poeta

Traz a memória
conjunta à imaginação
- punhal de flores,
argila modelada de vento,
ampulheta em movimento
silêncio de pedra,
grão-poeta
o “não elaborado momento de água”*
Chuva de frágua.



Escrito por Alessandra Espínola às 11:57
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Na casa velha

é tarde de canções

outubro de fogo e vento

alarido de cães


Escrito por Alessandra Espínola às 10:48
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Crepúsculo

alquimia, pupila rubra

dilatada no horizonte

ouro-ocre, cobalto, púrpura

cobre-brasa, zinco, fonte

anos-luz, decrescente

estrela bruta

Escrito por Alessandra Espínola às 12:40
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Estertor de pássaro arremessado na íris

o instante nascente à beira

vida me olhando de dentro.

No cume, clímax do Grande Gozo

fixo meu olhar no nada,

a essa substância me lanço

e descubro o inexorável.


Escrito por Alessandra Espínola às 13:48
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instante existir de estrela

tronco bruto retorcido ao sol

silencioso punhado de areia

pólen, escamas, teia

tosca delicadeza sou


Escrito por Alessandra Espínola às 08:34
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olhares II

olhos aguados
debruçados na beira da infância
vertigem no de dentro
líquido tenro

***

rútilos olhos escuros
encravados de apetite
na carne da palavra

***

olhos de púrpura
habitados de doçura
beijam a boca da noite

Escrito por Alessandra Espínola às 08:37
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olhares I

gota d'água espatifada
última breve temporada
grito de pássaro estirado nos olhos

***

olhos invernais
seca e escuridão
sopros de vida encarnados na pedra


Escrito por Alessandra Espínola às 08:51
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Porção

Vida é disjunção
porçãozinha do infinito
Nada.
Luz, sombra
sal, areia, alga.
Abertura de águas.



Escrito por Alessandra Espínola às 12:54
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Leveza,

pontes suspensas

nas pálpebras.



Escrito por Alessandra Espínola às 08:42
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Releitura: Brincando com Drummond

Quando nasci
Não veio anjo nem nada.
Dizem que chorei.
Até hoje,
torta e tonta na vida
tenho na boca
o sal da lágrima,
o gosto de pedra
e essa palavra a meio do caminho
dizendo:
desempedra e
vai ser pétala na vida!
Com licença, (Drummond)
Eu sou.


Escrito por Alessandra Espínola às 10:19
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Na sonoridade de esboço da natureza,

tenho quase nada,

bruma, sopro e sombra.

Montanha sépia violeta -

ilha, horizonte, água.


Escrito por Alessandra Espínola às 06:24
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Fui sombra de pássaro


nas tuas mãos, ó criança!


Depois de bater asas,


atravessou-me teu vagido, no nada.



Escrito por Alessandra Espínola às 14:54
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A você que me permite:

E vai me abrindo sedosa
- pétala por pétala –
a tua língua silenciosa.


Escrito por Alessandra Espínola às 12:41
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na soleira da porta
de tuas palavras
sento-me esperando
extenuada
no dia da noite
do choro,
do lado de fora
vi o olho mágico
me olhando por dentro


Escrito por Alessandra Espínola às 22:21
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Luz da manhã

 

luz da manhã

refletida pelo arco da lua

no negro grito nu

 

inscrevo teu nome

da fundura do desejo

à pele da flor,

lua da manhã

sombra que afaga o sonho

acalenta suave

a desforme intimidade

do ser,

 

intensa e dolorida espera

para a hora ah final inútil !?



Escrito por Alessandra Espínola às 23:58
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Ventre do Poema

Entro no jardim das Imbiribas
ponho meu abadá e berimbau no canto,
e nua no banco
volto a ser menina
me lambuzando toda
esculpindo meu corpo de mulher,
diante da cachoeira que seduz
bandos de pássaros trazem ramos
e no ventre do jardim de um mangue
germino espécies, sementes e rego luz.



Escrito por Alessandra Espínola às 20:50
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Desloco-me do eixo central

perco o fio da caminhada

tropeço e desvio o “pé-de-lebre”

da carreira  do trem,

olho o horizonte a esmo

e vejo surgir o nada

Ah, eu... duas,

A outra,  aprisionada no porão do tempo,

no barraco, hoje soterrado

por pés silentes  que subiram e desceram aquelas escadas

e que pisaram aquelas terras ,

cavo, incansavelmente,

arranho calendários

levanto-me no outro fluxo

extenuada de quedas infinitas

no túnel sem luz,

só um fiapo me resta, apenas,

agarrado entre os movimentos.



Escrito por Alessandra Espínola às 17:06
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Empurro meu barco contra as ondas e

rumo ao horizonte

no recurvo oceano

o relâmpago lunar

atinge a barcarola,

ponho-me de pé,

empunho anzol sem isca

e sem ferir o céu,

com jeito,

sou pescada pela lua.



Escrito por Alessandra Espínola às 09:19
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Tristeza

Na estreiteza do olhar

a seca lágrima-palavra

me lembra, cínica,

e sangra,

que esta lembrança

poderia ser uma outra

_ impossível e inelutável.



Escrito por Alessandra Espínola às 23:16
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Não, a morte não me atemoriza

nem me incita à vida

não sou devota aos santos,

ao sono, às roupas...

só essa sede essencial

me permanece

me habita.



Escrito por Alessandra Espínola às 21:31
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já estive muito

em minhas solidões

agora estou só

em ti



Escrito por Alessandra Espínola às 23:12
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intraduzível
 
finjo ser bem alegre
finjo tão bem ser triste
na verdade, sou essa coisa entranhada na carne
esse mapa sem legenda.


Escrito por Alessandra Espínola às 02:17
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Infância

 

Chão morno, sol e areia

Deslizando na ampulheta

 

Som das manhãs na praça

Cheiro de árvores e alegria

Sabor das plantas

A língua vermelha e verde

Palavras sozinhas, espalhadas

 

Atravessa a rua,

A escola, a praça, as casas

O rio corre, solto.

 

Gentes cantam,

Andam esperançosas nas calçadas

De calças com bocas largas

O vento leva as lágrimas

 

Automóveis e bicicletas

Circulam na via 

Perto do meio dia

O dia desanda a correr, desembestado

Sol, suor e choro

Alívio no abraço, consolo

  

A escola é um alvoroço só

A infância corre atrás do cão

E puxa-lhe o rabo...

Late assustado e vai embora

Destrambelhado com três patas

 

Incansável, corre atrás dos pardais

E no bater das asas

deixam voar sonhos...

 

Pudesse ser assim a vida inteira...



Escrito por Alessandra Espínola às 17:38
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o

@

p

!

l

o

s



Escrito por Alessandra Espínola às 17:44
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extrai

da terra

 

a seiva

que corre

 

de um rio

além

 

quebra

calçadas

 

estoura

asfalto

 

dribla

a náusea,

 

o nojo

e o podre,

 

vasculha

o riacho

 

o vento  

alastra,

 

depois da chuva pura

 

e lua girassol

 

primavera setembros



Escrito por Alessandra Espínola às 08:52
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verso / contive

 

ah lágrima / contigo

no vértice do olho / verto versos

verte-se (in)verso / líquidos

***

vôo livre / entre teus lábios

 

minha língua desbrava / macieza táctil

o céu de tua boca / a lamber lambendo

num desejo alado / lânguido prazer-língua...

 

Alessandra Espínola / Francisco Coimbra* 

Francisco Coimbra entrando no meu corpus

*http://www.recantodasletras.com.br/autor.php?id=656

*http://www.recantodasletras.com.br/autores/Francisco



Escrito por Alessandra Espínola às 23:11
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às costureiras

 

com as linhas

da palma das mãos

costura a vida

em versos

 

 

algodão e seda

forra a ca(l)ma,

é linho dia!

 

bainha feita

avisa a hora

de entregar-se pronta

 

 

nu_m pano su(rr)ado

histórias e(nco)mendadas

rasgam-se nas entre-linhas

 

 

Tece a vida, a cria

a(r) rima

veste-se de lágrima

e quase tudo é

desalinh(av)o

 

 

 



Escrito por Alessandra Espínola às 07:25
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Fora de eixo

na decolagem do abraço

despenca o centro de gravidade

da nossa máquina voadora

***

Pulsação

nas linhas

sístoles

entre linhas

diástoles


***

Amanhecer

manhã cheia

inverno desperto e rígido

me intumesce o seio



Escrito por Alessandra Espínola às 22:09
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poeminha

Converso com o barro e o espelho

falam com voz barroca

do passado e do medo

o traço enrugado vem moderno

no apalpar escuro do futuro

e no movediço que liberta.



Escrito por Alessandra Espínola às 11:58
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