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deito-me na areia da praia como espumas esfumaçadas de instante em instante
olhos areados de luas e mil sombras de cores ao mar como pedras enraizadas ao fundo do vazio imenso de si mesma
o navio ao longe parte lento e chega já num sem onde
a névoa vai neblinando toda a extensão da areiae de um horizonte curvo
os olhos se bifurcam e se perdem na distância levo-me pó lagoa salina arrecifes nas nuvens do tempo
cravo os dedos na quentura da carne da sombra de um coqueiro nas solidões das noites com seu ventos tardios a maré vai baixando violentamente na explosão da tarde
aliso a aspereza das vozes que todos trazem embutidas se equilibrando nas cordas de grossas tramas enroscadas umas nas outras e seus puídos antigos
nas ondulações e variações de cada um que atravessa meu olhar as palavras afundam nas águas e a boca salga o beijo a pele nua em algas mortas sangue seco craquelando a dor todo o ser se abandona como uma carcaça ao vento estirada ao abandono do sol
como um estado de regresso à terra nada mais
Escrito por Alessandra Espínola às 21:49
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poema novo em flor:
não tinha surpresas
nem papéis na gaveta
nem embrulhos
nem nada
o que havia era
o tempo
em chuva
em cachoeira
lavando a face cansada
levando os seixos da estrada
o tempo beijava fundo o céu da boca
e era como ponteiro que acertava as coisas
errava também e muito e mais
abria portinholas
cuco! cuco! cuco!
o tempo saía da penumbra
ligeiro ia cheirando o cangote
que num piscar de olhos desnuda a gente
e o tempo me cheirava a qualquer coisa
do tipo: quando vc está num maior roça-roça
a mulher diz pára, pára um pouquinho... mas o tempo vem penetrando nem diz nada,
e não pára não, e é até bom, porque do tempo não dá pra escapar... do toque do tempo, da ternura que é o tempo... do domínio do tempo sobre o corpo
e cada vez mais ele vai penetrando até que a mulher e o tempo são uma coisa só.
Escrito por Alessandra Espínola às 15:08
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na casa velha as folhas da goiabeira caem do varal da tarde *** pela janela da casa a estrada ao longe vem vindo à tona *** no chão da casa
o nácar da lua e mais eu
Escrito por Alessandra Espínola às 13:16
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dentro do aguaceiro minha voz muda *** o pássaro sobrevoa o próprio tédio *** Em silêncio: aranha na teia me tece ***
Escrito por Alessandra Espínola às 11:59
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mais fragmentos: 1. Entre o estresse e o prozac tem sexo?
2. Por onde ando nos labirintos de minha mente?
3. Sempre uma pergunta me lateja: o que é que estou fazendo aqui?
4. A cidade grande é pequena.
5. ... o estrondo de um avião que passa e o silêncio no meio... entre dois amigos... de repente, uma gargalhada explode...
6. No meu guisado de palavras podes se lambuzar, debaixo dessa árvore à sombra do verde, o capim meio úmido das chuvas e os brinquedos espalhados de mistérios...
7. Meu poente: anêmonas pousam na superfície da tarde.
8. Eu vi a poesia na beira da asa de uma garça. 9. A lagoa me circulava por dentro. 10. Estou em estado de embocadura.
Escrito por Alessandra Espínola às 15:57
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junho engendra miosótis... os seres macios violinam chuvas mergulham escamas na lua esvoaçam lábios encontram silêncios demorados como vinho de longa data rubros olhos na penumbra o som dos violinos penetra e atravessa vasculhantes tremem suavemente paredes acariciam gatos em sigilo, sutileza e elegância a noite procura a terra e rasca cascos com soberba a noite dançarina mergulha auscuta revela se deita com gatos passeando telhados... junho, junho tece a mão sobre a face a boca e o hálito sobre o mamilo macio quente onde florescem begônias e rosas raras fora de estação, ipês, flores de ar e dentro da terra a chuva, raízes sedentas junho também se abre discretamente primaveras em estufas junho estufa, infla, cresce na ponta dos galhos de árvores altas junho destila maio abraça julho agosto perdura na carne das palavras do passo da paixão encarnada de semente junho engendra mundos...
Escrito por Alessandra Espínola às 10:00
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quando cai um poema: indomável danação , ir lá crestar as mãos em restolhos de navios, na noite longa escura que me escuma esmaga , escassa e me abre fenda abismo não deve ser só isto, istmo pode ser o meu naufrágio de nadar golfinhos
Escrito por Alessandra Espínola às 20:28
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dos "papéis soltos" fevereiro e março a chuva na ladeira e o beijo no mormaço __ no telhado de casa ocaso e o vôo da garça __ na beira do mangue entre os araçás o salto da rã __ na casa velha canta o cuco na parede, de repente, o passado __ entre a maré e o céu da tarde oxum oxumaré __ no meu cortiço a manhã se agita espreguiça a gata ao sol __ o vento vira menino na carcunda da onda __
mangas e maracujás - na feira de manhã era moça a vida __ curiosidade: puxar o rabo do gato e sair voando a cavalo __ no espelho da lagoa a lua, o brejo e o beijo dos namorados __ chega nebulosa de manhã cega esperança __ borboletas amarelas pedaços de sol explodindo no jardim __ no quintal da casa velha o cachorro se fazia de chão __
entre as pedras e as águas um mar de algas __ no mangue seco as palavras são molhadas de silêncio __ garças no mague: brancas esperanças no lamaçal
__
lagartixa na parede amiga antiga a espiar o tempo
__
borboleta no jardim deus brinca de meninices no quintal do mundo
***
aranha negra não nega teia a ninguém
__ lamparinas na casa é fim de tarde nos olhos da infância __ no quintal da casa velha o fruto maduro persiste
Escrito por Alessandra Espínola às 20:56
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Fragmentos do instante 5:
1. A razão me desconhece.
2. Ando recolhendo abismos.
3. Me descuido das informações.
4. A palavra me desavença.
5. Estou desagregada de pássaros.
6. Porque a rosa é um gesto.
7. Esqueço de colecionar coisas, no futuro terei saudades.
8. Faço escultura de idéias.
9. Palavras o vento não leva.
10. A vida (vibra) na batuta do tamborim. Na palheta do pandeiro.
11. Onde a gente dói? Onde dói um homem?
12. Silêncio: é porque também descompreendo.
13. Dizem que tenho a poesia na veia, mas tenho a experiência do patético e do absurdo.
14. A realidade me desilude e me fadiga amargamente.
15. A vida é mistério sem enigma.
16. Escrever é a minha melhor hora.
17. Sou a conjugação das minhas relações e a agonia do que delas não pode ser feito.
18. É no intervalo da eternidade que nossos tempos se penetram.
19. A cidade inteirinha pode desabar. Ser levada pelas águas. Ainda faço um poema que não se podia. Levanto versos, coisifico prosas, crio uma linguagem de dizer deus. 20. Magnólias: Mulheres que amam a vida. 21. Eu toda ponto G. 22. Estou juntando os cacos, cascos, ossadas. Sobrou quase nada no meio-do-sem-fim de deserto de (meu) mundo. 23. A linguagem é um estado de aleluia em mim.
Escrito por Alessandra Espínola às 15:34
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O mar toca flauta no fímbrio ocaso. ** O vento me bebe a fina pele da flor.
Escrito por Alessandra Espínola às 16:42
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Lírio silencioso teus lábios rasgo na vibração do sangue
leite que se abre em cálice, poema da noite no colo rugoso da bruta flor. Amo-te. Às vezes, dolorosamente na aceitação da aurora. O pensamento se dissolve no choque suave e irrigado dos corpos. Uma coisa primitiva, ingênua e selvagem succiona um para dentro do outro. Fonte milagrosa que mana mar, urdir exasperado de funduras, cactos e flores n'água, cores lóbulos, filetes carnudos, ilhas relâmpagos, encostas, sal e pedra, crepúsculos, cascos no horizonte faminto. És espírito no meu ventre, te beijarei até o escarlate da aurora como uma salamandra queimando e dançando a noite.
Escrito por Alessandra Espínola às 15:05
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eu gosto da tua axila teu omoplata teu costado tua penugem rara teus pêlos nos cantos, nas extremidades o cotovelo e as mãos de quem tenta agarrar o tempo o teu tempo me contorna e me acelera o teu hálitolhar toque me desatinam desatinos são beijos que molham amolecem a carne e sugam a gente do mundo, busco saber-te e, é em vão que te busco e se te sei também é vão, vão em que se cai perdidamente. Assim, de uma hora pra outra. Te busco com os olhos, com a palavra, com a língua com a boca com o braço a mão com o gosto da minha boca na tua boca tua pele e quando te busco é quando te dou um poema sinuoso girassol na garganta flor branca-grená da aurora girandola de beijos fome arisca e furiosa sede ferocidade e gosto, tu me orvalhas tua voz teu som tua cadência são lambidas de cão na minha orelha e eu te deito no meu colo noturno afago-te em meu peito... tudo extremece e tudo se acalma... somos barcos metidos na neblina bocas, sons de bocas devorando fomes profundas. Gosto de teus dedos dedilhando uma música clássica no meu velho piano.
Escrito por Alessandra Espínola às 18:14
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meu corpo quer o movimento de outro corpo meu corpo quer o cheiro de outro corpo meu corpo quer Língua olhos lambidos esponja noutro corpo meu corpo quer o movimento do meu corpo noutro corpo e o movimento do meu e do outro no meu corpo sol cativo na flor candelabro de lua nas folhas uma tarde na varanda quero outro corpo aplainando meu corpo grandes cidades, buzinas longe, bicicletas, BRs, viadutos, túneis, cais, portos, pontes, aeroportos, velo(z)cidades rude rugido de aeronaves, pássaros soltos alvorançando a lua, vento, o que é o vento? sou eu e somos nós em movimento, caminhões, poças d'água engolindo guardas, peixes grandes rascando a superfície, respirando a boca do rio, correntezas, fogueiras altas, luz trêmula sobre os corpos, cicatrizes, umbigo, brasa dentro das raízes, vulcão, lava percorrendo a coluna e mãos perdidas reencontrando as margens
Escrito por Alessandra Espínola às 11:14
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entre as folhagens desce a tarde selvagem braços beirando flores azul jasmim surge sobre a solidão muda de março a névoa cigana de abril *** da minha janela: no fim de tarde de abril clarão de pássaros corta o horizonte. *** Pássaro marinho traz à tardezinha ramos soltos de sonhos, escamas de maio pescando junho.
Escrito por Alessandra Espínola às 12:39
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no descontentamento de flor-enigma que se abre e se desterritorializa enfraso o mundo
desvendo um espaço em território nenhum, artesanato no vazio isso sim!
Escrito por Alessandra Espínola às 20:26
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Fim de Tarde de repente, o fim de tarde é cinza na fala desconjuntada das cores é feroz, voraz, cruel o fim de tarde nos seus lábios é vermelho furor intermitente lume ferida de ser signo e amor fim de tarde é uma estrela que arde palavra perfume partida
Escrito por Alessandra Espínola às 17:48
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Girândola Lírica No castelo submerso de ponte levadiça dedilho minha saga de sina.(sentido, seca-silêncio e sol...)
***
Na grama, pingos grossos de manga ainda dentro do outono o verão o vento o verso.
***
Furacãozinho de folhas: uma porção de outono nas mãos do vento.
***
No drapeado da concha... no embaraçado das ondas... o silêncio da pérola palpita.
***
Busco no ventre noturno o movimento sólido a matéria do líquido a imanência bojuda do verso.
***
Succionado do ventre úmido ao subjacente do sonho a palavra escangalhada de vida.
***
Junto os estampidos num canto silencioso de mim como gesto antigo de guarnecer memórias.
***
Na raiz, é florescente o infinito e o tempo perpassa fendas ásperas no verso.
***
No côncavo obscuro do osso a goiva da palavra (desassossegada) talha-me o verso.
***
Erosão do horizonte sem brilho nem ruído,
dentro da bruma golfo no glossário de sombra.
Escrito por Alessandra Espínola às 13:50
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Navegaçõestrazia tesouros navegáveis o íntimo da garrafa vazia
***
água, pós de mares e por acaso, um destino no limbo do horizonte
***
berço que nina minha angústia: palavra sem origem nem destino não dorme
***
ondas temíveis abortam a partida eu, indizivelmente, continuo a escrever a vida
***
a praia resiste às águas (?) nem um grão escapa à delicadeza do vento
no outono nascem os poemas.
***
Sol na língua do horizonte ilha mergulhada em sobrevôo de pássaros, e o silêncio me povoa.
Escrito por Alessandra Espínola às 11:52
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dos "papéis soltos"no quartinho da cisterna a mulher solitária canta úmido-macio
ººº
o gato bebe a chuva na poça de lua cheia
ººº
o céu: black tie a terra se preparando para a festa
ººº
folhas de bananeira rasgadas pelo vento cobrem frutos frescos
ººº
num círculo de sol as horas passadas são sombras
Escrito por Alessandra Espínola às 20:16
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[Desfazer-se...] Desfazer-se no silencioso corte espinhento da noite desmontar os sentidos renomear as coisas, o nada amanhecer quebra-cabeça de corpo reinventar o próprio amor sobre a colcha (vazia) que de novo retalha.
Escrito por Alessandra Espínola às 19:30
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[Sorver a Língua] Sorver a língua indefinida de sons sugar a lisura áspera das entrelinhas morder a carne do significado molemente adociada de gestos.
Escrito por Alessandra Espínola às 16:40
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[os barcos...] os barcos do mundo estão tristes, há uma âncora no caos a morada do verso onde dorme o nascente quando a vela se abre e o vento infla o tecido do tempo
Escrito por Alessandra Espínola às 18:07
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[baixar a ponte...]baixar a ponte rizomática lançar sol chuva à terra esperma sangrar flamância desferir a história palimpsestar a língua ao substrato da memória.
Escrito por Alessandra Espínola às 08:56
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é isso:não possuo as respostas sou apenas o delicado traço do ponto de interrogação
Escrito por Alessandra Espínola às 08:24
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[transmutar o silêncio...]transmutar o silêncio desengasgar a palavra muda na glote consolidar o poema brincar de pega-não pega traduzir-se como possível hipótese construir os sentidos 'arquitentando' as palavras.
Escrito por Alessandra Espínola às 15:40
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receituário enigmáticopetrificar a luz desorbitada no caos.
xilogravar o cosmo em espiral oblíquo na ossatura do corpus da linguagem.
Escrito por Alessandra Espínola às 13:58
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devo dizer: desembesto caminhos no labirinto sem tochas quando fogo é por acaso fátuo e opaco quando apago à tardinha sonho um santuário ao deus
Escrito por Alessandra Espínola às 15:44
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[A vida...] a vida fragmenta reflexos esgrima de esfinges no olho que é espectro
Escrito por Alessandra Espínola às 11:45
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[Protesto e resigno...] Protesto e resigno adeus perder é inevitável e eu ganho quando me contraceno no hiato entre as palavras e com a versão mais nova do costado de um espelho onde não se vê nada (no chumbo do que foi gasto) como quem olha o céu debaixo d'água submergindo com seu grito náufrago, deixarei os restolhos de um velho navio rangendo surdez e adeuses
Escrito por Alessandra Espínola às 12:19
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[A travessia...] a travessia tem disso: o rastro perdido do seu caminho a travessura do passo *** [Morder...] morder a uva e engolir o estouro da semente plantada no absinto e no silêncio
Escrito por Alessandra Espínola às 13:33
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[meu caminhar é...] meu caminhar é lento e tenho pressa treva, céu parado, pedra capim em vão no poço, água de esgoto secando ao sol miasmas, cansaço de cinzas, pólvora no paiol ! meu caminhar é lento e tenho pressa larva se debatendo na lama lesma correndo na grama briga de foice com a palavra retinir de sino cair de forro (do teto) meu caminhar é lento e tenho pressa
Escrito por Alessandra Espínola às 19:21
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na rota da brisa e do verso navega a pétala ** desfolha-se o pé de jambo: no tapete cor-de-rosa refloresce o passo da moça *** céu vazio de nuvens beija-flor o tempo
Escrito por Alessandra Espínola às 11:40
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Outono. Beija o ramo dos cabelos folhas grisalhas. *** Cheiro verde chuva ao sol. Arco-íris no canavial. *** Noite beija a vidraça. Visão baça.
Escrito por Alessandra Espínola às 16:59
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Um galho pende. Folha seca ao sol no pé de graviola do quintal. *** Sol girando a cortina de nuvens girândola de luz. *** Caleidoscópio de jóia. Réstias de sol na clara bóia.
Escrito por Alessandra Espínola às 16:04
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[Coisa voraz...] coisa voraz e branda que a voz reclama ouço-a tocar na vidraça... na mureta da varanda no telhado como quem anda coisa viva e canta beija os lábios do segredo da penumbra num gemido polifônico nem a noite cala o que oculta
Escrito por Alessandra Espínola às 15:35
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Abro a gaveta. Memórias sonâmbulas arbustos de algas folhada de vôos boiando sobre a face do verso cheiro de musgo viciando madeira, papiro, pedra murmúrios da púrpura pétala entre as páginas do nosso livro de névoa.
Escrito por Alessandra Espínola às 18:45
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[Pousa...] Pousa tua Língua nos meus lábios trincados de doçura suaviza a vida-voz do poema escura, agônica, sedenta, inconsolável_mente absurda.
Escrito por Alessandra Espínola às 11:15
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Foste tu morte
quem cortaste
meu riso de sol
um dia ainda
vou rir da tua cara
cara a cara
Escrito por Alessandra Espínola às 13:24
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(ainda dessa que sou)
A vida é uma
folha
de zinco
zarpando
zunindo
solta
na tempestade
Escrito por Alessandra Espínola às 13:56
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[A vida... ]
A vida é uma
urticária gigante (essa que sou)
pode ser
que dizer
desintoxique.
Escrito por Alessandra Espínola às 16:07
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[não há...]
Não há consolo inútil o consolo Só o gesto de escuta, olhos atentos aos meus contidos de silêncios.
Só esta fenda para o amor.
Não há nem a tua mão sobre a minha.
Escrito por Alessandra Espínola às 14:51
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vê só, ando num silêncio quente, caminho como quem tateia no escuro, asas abertas à noite, cintilando movimentos,
é que tem vez que é tão difícil dizer coisas...
ando também agressiva com as palavras, e elas cada vez mais tão profundamente delicadas em mim,
corte no corpo
um vermelho de palavras parindo dores que sepulto sempre, mas um leve toque à superfície vem aquela coisa tão boa e alegre e transporta e transmuta toda palavra numa caligrafia de desejos na pele que nem consigo dizer coisa alguma...
um bater de asas e a dança de pó colorido de vôos de véus, de sol varando a escura idade...
Escrito por Alessandra Espínola às 07:19
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sussurros:
silêncio e cintilância som de flores d'água
desabrochando na superfície do tempo
Escrito por Alessandra Espínola às 10:03
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poema triste:
é beco a sombra chega
cinzamente se esgueirando
nos umbrais da boca
Escrito por Alessandra Espínola às 11:04
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Em abril III
A vida em festa
ornamentou o céu
amarelo sobre lilás,
remansoso o mar
deitou-se sobre areia
para amar uma mulher
nascida em abril.
Escrito por Alessandra Espínola às 17:53
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Em abril II
Empoeirada manhã,
cheiro de sol guardado
nas folhas de outono
despertando em abril.
Escrito por Alessandra Espínola às 17:14
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[Desejo...]
Desejo o sorriso de asa
e vôo raso de sol,
um nítido na escuridão
um rútilo poema
na sombra crepuscular
do meu porão.
Escrito por Alessandra Espínola às 13:30
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em abril...
chuva tardia de verão
abriu silêncio íntimo de outono,
vida nítida sobre sonho
Escrito por Alessandra Espínola às 11:08
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Penumbra púrpura
fonte teu fundo
flor fulva de sol
teu sorriso de sombra.
Escrito por Alessandra Espínola às 18:24
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vem lá do confim
borboleta-bruxa,
um marrom purpurinado de prata,
pousa no topo
da flor,
por um instante,
vira dama da noite
no noturno do meu jardim
Escrito por Alessandra Espínola às 11:27
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às vezes, é só sem dor, sem frio, nem calor sem fome, sem som de nada, nem vozes nem fotos antigas não mais sangue, é uma coisa sem nome
Escrito por Alessandra Espínola às 10:56
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I
Pássaros empalhados de ventos
tecem ninhos no cabelo das árvores,
onde piam silêncios.
II
beija a flor fluindo na ciranda das pétalas,
colibri dançarino dentro da casa.
III
Aguadouro de silêncios,
Moringa guarnecida de pétalas
E um alguidar entocado de pássaros.
Escrito por Alessandra Espínola às 12:44
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nesse crepúsculo lhe preparo um incendiado de palavras. recolho as amêndoas mais frescas, sento-me à sombra da amendoeira na rua da ladeira, pensativa, dilacerada e olho a colina as casas, os homens e suas solidões no alto. depois da colina um mundo que urge, gane, grita... silenciosa, planto uma ilha sobre raízes lodo, algas à beira dos passos afago um pássaro no galho e um cão que se deita ao meu lado. Anoitece. Na hora exata o de dentro das amêndoas explode no meu palato e tomada de sonho e seiva a auréola da lua se expande farta uma poesia de sol fremente nos lábios e no esconderijo, grito-vôo de pássaro.
Tempo de ouvir suas canções de contemplar luares cobrir-me de relento e amanhecer de repente dentro de barcos com remos e cascos em busca do ancoradouro dos teus lábios.
Escrito por Alessandra Espínola às 12:36
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[anoitecer...]
anoitecer prematuro
de sombras,
forma de algas,
adocicados aromas
e uma tarde (de março)
espargida na praia
plena de verão.
Escrito por Alessandra Espínola às 15:19
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lírica
sobre meus lábios
a lua, a noite
e teu hálito cálido
~~
sobre tua face
girassóis de março
e uma tarde baça
Escrito por Alessandra Espínola às 14:17
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revi os silêncios rumorejando a madrugada todos bêbados procurando a lua, o chão, as chaves nas mãos, revi a trama das palavras, seus ardis e a asa de luz que arde flama sem repouso chama consumindo o ar o espaço e eu a um passo (do confim) desse Eu Outro em Mim
Escrito por Alessandra Espínola às 09:40
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enguia elétrica dentro da água corrente
língua de serpente dentro do fundo barrento da gente
o poema
Escrito por Alessandra Espínola às 14:02
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dentro da flor
fulva , silenciosa cerda
alvura ensolarada se abrindo
no horizonte da pétala
Escrito por Alessandra Espínola às 08:42
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o bico aberto do tempo na casa de alpistes alimenta fome sede sonho de vôos
ar e terra, asas desabrochando ninhos de primaveras!
Escrito por Alessandra Espínola às 10:18
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[infinitude]
É infinita uma tarde de domingo, é infinita a noite antes da lâmina, é infinito o sulco do corte, é infinita a manhã depois do grito, é infinito saber-me vago ponto no espaço repetido, alongado gesto de mão que segura o ar, o aço.
Escrito por Alessandra Espínola às 14:52
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[ave palavra]
Ave palavra!
asa da crisálida
a roçar o céu da boca
e depois do passo nos ares?
dos pares de asas?
depois, aflição de ser pássaro
vôo , brisa dentro da casa.
Escrito por Alessandra Espínola às 09:24
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Lanço nos ares o pássaro aflitivo
Sobrevoa os abismos,
Arfante, ainda não trouxe o ramo no bico.
Escrito por Alessandra Espínola às 10:05
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No silêncio do roxo-azulado
o peito apunhalado sangra
um incêndio o céu da tarde,
e o grito lacrado do pássaro sem nome
sepultando o branco dos olhos
calcinando a face.
Escrito por Alessandra Espínola às 11:33
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Face de flores no sonho
um ser inominável, pés nebulosos
fibra intocável sem membros,
Na ponta da faca
o fel e a gota infinita do tempo
depois do feixe de luz na janela
e dessa febre anunciada
o zunido da lâmina cortanto o ar
o espaço
minha morada.
Escrito por Alessandra Espínola às 09:09
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a dor atropela-me
na rua dos fundos,
na infinitude da noite
o escuro cortante
segue , sangra
em golpes invisíveis,
espasmos no vazio do ventre
fala a voz do silêncio
faz o escambau
passa por todo o dentro de mim
o abismo,
é assim que é.
Escrito por Alessandra Espínola às 08:25
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poemas de estação 4
som, risos e lua da tarde a noite não adormecia, só risos...
***
finda noite primaveril, o cheiro de jasmim buli impassível nos campos de mim
***
é lua nova no (des) caminho o menino com a velha solidão
***
anjos... com asas trançadas de sonhos se metem à besta, metamorfoseiam-se
***
no meio do lago pedra n’água não cessa, não cessa a onda larga
Escrito por Alessandra Espínola às 11:49
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poemas de estação 3
piás, azucrinam crepúsculos manhãzinha... arrulham-se na gostosura das horas
***
na transparência das rosas o reflexo da prímula buliçosa sombra da guria tarda lua
***
férias da estação sonhos de papo pro ar nuvens na cabeça e o mundo nas mãos
***
manhã de primavera sem bater asas, pássaro voou
***
entre fios do sol de cobre se coça a relva, apontada para o nascente bronzeia as horas
Escrito por Alessandra Espínola às 09:16
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poemas de estação 2
manhã lisa, sabiás cantam valsa, no capim molhado, angorá se alisa
***
vento na garupa a garota pedala, alada... de bicicleta
***
eram rastros seus cabelos no silêncio, o interstício música tamborilando no peito corporal_mente, ventos alísios e contra-alísios
***
vôo solo pardal (ex) palha silêncio no ninho, no céu, estio
***
a saia da menina abanava em leque, era brisa cheia de sol formigava o rosto do moleque
Escrito por Alessandra Espínola às 14:18
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poemas de estação (aos adolescentes)
das mangas precipitadas no mato
soçobravam os olhos do menino só
sobravam bagaços
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à tarde,
passarinhada abriga o pôr do sol
debaixo das asas
de madrugada,
serenata
~~~~
sua vez
beijos, beijos...
suaves
~~~~
carrapicho no pé
fruto da meninice...
dos dias em que se caçava grilos
e se acendia o nariz com girassol
~~~~
andorinha
passeia no azul celeste
depois do arco-íris,
a paz
Escrito por Alessandra Espínola às 08:58
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Alguma coisa é gerada no ventre da noite, na contração do mar, e urgentemente. De cócoras, me pede pra não morrer. Assim como eu, acho que o que escrevo não chega a ser, é sempre, apenas, intenção.
Me lambe o recife dos teus olhos, cintilâncias, transparências e névoas, quando não me dou mais conta, estou ao fundo, areia encharcada de água e sal, mergulhada em águas desconhecidas que me levam para perto de... Desancorada resvalo-me em horizonte alheio, percorro meus olhos para onde teu olhar viaja, e me leva teu mar, me aporta em terras ainda não visitadas, então eu te visito e, é aí também, que sou revisitada.
Me umedece a macieza verde do teu olhar, frondosa árvore entre sombras e trepadeiras, coisas-bosques suaves e latejantes que se entrelaçam num silencioso desenrolar-se de galhos retorcidos e seiva numa atmosfera entre nervuras de folhas e gotas de orvalho, verdíssimas e acarpetadas. Tomara pudesse cravar minhas raízes em tuas terras, adentrar veios, desviver semente e me aninhar no caroço da Terra.
Escrito por Alessandra Espínola às 07:49
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Em três tempos
Esse é o tempo,
das árvores construírem
ninhos nas mãos.
***
O menino ancora
a vida nas memórias
e brinca nas espumas do tempo.
***
A borboleta chega tarde
para o encontro,
e tão cedo tem que partir.
Escrito por Alessandra Espínola às 08:01
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Frige quando é poesia
é quase dor,
ar_dor.
Desejo,
é que dançam
salamandras no peito.
Escrito por Alessandra Espínola às 12:21
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Um ser de tardes
Se debruça sobre a carnadura do poço,
Seu feixe de luz transpassa
a folha de amianto,
cava funduras móveis
até ao oculto branco do osso,
Nascer também é para dentro?
Escrito por Alessandra Espínola às 08:27
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Do Livro "fragmentos do silêncio" (versos esparsos) de André Boniatti
XXVII
barro é o homem, ar nos pulmões e fogo no coração
XXVIII
repouso no caos, movimento e processo,
CXLVII
espero por deus como quem não tivesse dinheiro para voltar,
~~~
mais do autor: http://www.recantodasletras.com.br/autores/poiesismorias
Escrito por Alessandra Espínola às 12:14
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Vento na janela Serenata À flor amarela
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Gritos de pássaro, Noite assustada Chove
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Vaga lume Na centro da sala Vaga lua
~~~
Volta e meia, É meia lua A noite inteira.
Escrito por Alessandra Espínola às 10:37
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Não nego ser pedra de cais Nem pétala lançada ao mar. Face de gumes, Traço caminhos de pó e sol Sal e algas. Corpo de espumas, Som ancestral de guelras Navego névoa Alimento lumes, águas.
Escrito por Alessandra Espínola às 10:45
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Minha angústia
É vaga
Epiléptica silenciosa
Momento de nume do nada
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Vida é atropelo
Choque íntimo e confuso de carnes
Distorção de fábulas
Memórias, espetadela de fuso
Desenredo de fadas.
Escrito por Alessandra Espínola às 09:43
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Ele brinca tanto que vira coisa séria, o "musicopoeta" Nelson Luiz de Oliveira nos proporciona momentos de beleza, alegria, poesia e prazer. A imagem , o som e a palavra são os brinquedos desse nosso amigo matreiro, que vive fazendo Arte!
No link abaixo, o "Vôo Poético" e mais três vídeos do lançamento de seu recente Cd "Linguagens".
http://br.youtube.com/results?search_query=oliveiranelson
Escrito por Alessandra Espínola às 14:14
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Atrás dos cúmulos de pálpebras Os raios da íris Atingem a superfície das lágrimas, Do sonho ; suor e sumo. Do abismo que se abre À tona o Outro, O que há , por exemplo, Entre setembro e outubro e agosto e setembro? Entre o espelho e o rosto, A terra e a ilusória lona azul do firmamento?
Escrito por Alessandra Espínola às 08:06
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Poema I
poema é pupa vocábulo desdobrável do casulo, asa da crisálida a acariciar o céu da boca
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Poema II
Mar retinto de amoras Jardim cercado de arco-íris Dentro: dança emancipada de flores E polens, frágil colorido das horas.
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Poeta Traz a memória conjunta à imaginação - punhal de flores, argila modelada de vento, ampulheta em movimento silêncio de pedra, grão-poeta o “não elaborado momento de água”* Chuva de frágua.
Escrito por Alessandra Espínola às 11:57
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Na casa velha
é tarde de canções
outubro de fogo e vento
alarido de cães
Escrito por Alessandra Espínola às 10:48
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Crepúsculo
alquimia, pupila rubra
dilatada no horizonte
ouro-ocre, cobalto, púrpura
cobre-brasa, zinco, fonte
anos-luz, decrescente
estrela bruta
Escrito por Alessandra Espínola às 12:40
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Estertor de pássaro arremessado na íris
o instante nascente à beira
vida me olhando de dentro.
No cume, clímax do Grande Gozo
fixo meu olhar no nada,
a essa substância me lanço
e descubro o inexorável.
Escrito por Alessandra Espínola às 13:48
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instante existir de estrela
tronco bruto retorcido ao sol
silencioso punhado de areia
pólen, escamas, teia
tosca delicadeza sou
Escrito por Alessandra Espínola às 08:34
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olhares II
olhos aguados debruçados na beira da infância vertigem no de dentro líquido tenro
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rútilos olhos escuros encravados de apetite na carne da palavra
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olhos de púrpura habitados de doçura beijam a boca da noite
Escrito por Alessandra Espínola às 08:37
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olhares I
gota d'água espatifada última breve temporada grito de pássaro estirado nos olhos
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olhos invernais seca e escuridão sopros de vida encarnados na pedra
Escrito por Alessandra Espínola às 08:51
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Porção
Vida é disjunção porçãozinha do infinito Nada. Luz, sombra sal, areia, alga. Abertura de águas.
Escrito por Alessandra Espínola às 12:54
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Leveza,
pontes suspensas
nas pálpebras.
Escrito por Alessandra Espínola às 08:42
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Releitura: Brincando com Drummond
Quando nasci Não veio anjo nem nada. Dizem que chorei. Até hoje, torta e tonta na vida tenho na boca o sal da lágrima, o gosto de pedra e essa palavra a meio do caminho dizendo: desempedra e vai ser pétala na vida! Com licença, (Drummond) Eu sou.
Escrito por Alessandra Espínola às 10:19
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Na sonoridade de esboço da natureza,
tenho quase nada,
bruma, sopro e sombra.
Montanha sépia violeta -
ilha, horizonte, água.
Escrito por Alessandra Espínola às 06:24
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Fui sombra de pássaro
nas tuas mãos, ó criança!
Depois de bater asas,
atravessou-me teu vagido, no nada.
Escrito por Alessandra Espínola às 14:54
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A você que me permite:
E vai me abrindo sedosa - pétala por pétala – a tua língua silenciosa.
Escrito por Alessandra Espínola às 12:41
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na soleira da porta
de tuas palavras
sento-me esperando
extenuada
no dia da noite
do choro,
do lado de fora
vi o olho mágico
me olhando por dentro
Escrito por Alessandra Espínola às 22:21
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Luz da manhã
luz da manhã
refletida pelo arco da lua
no negro grito nu
inscrevo teu nome
da fundura do desejo
à pele da flor,
lua da manhã
sombra que afaga o sonho
acalenta suave
a desforme intimidade
do ser,
intensa e dolorida espera
para a hora ah final inútil !?
Escrito por Alessandra Espínola às 23:58
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Ventre do Poema
Entro no jardim das Imbiribas ponho meu abadá e berimbau no canto, e nua no banco volto a ser menina me lambuzando toda esculpindo meu corpo de mulher, diante da cachoeira que seduz bandos de pássaros trazem ramos e no ventre do jardim de um mangue germino espécies, sementes e rego luz.
Escrito por Alessandra Espínola às 20:50
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Desloco-me do eixo central
perco o fio da caminhada
tropeço e desvio o “pé-de-lebre”
da carreira do trem,
olho o horizonte a esmo
e vejo surgir o nada
Ah, eu... duas,
A outra, aprisionada no porão do tempo,
no barraco, hoje soterrado
por pés silentes que subiram e desceram aquelas escadas
e que pisaram aquelas terras ,
cavo, incansavelmente,
arranho calendários
levanto-me no outro fluxo
extenuada de quedas infinitas
no túnel sem luz,
só um fiapo me resta, apenas,
agarrado entre os movimentos.
Escrito por Alessandra Espínola às 17:06
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Empurro meu barco contra as ondas e
rumo ao horizonte
no recurvo oceano
o relâmpago lunar
atinge a barcarola,
ponho-me de pé,
empunho anzol sem isca
e sem ferir o céu,
com jeito,
sou pescada pela lua.
Escrito por Alessandra Espínola às 09:19
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Tristeza
Na estreiteza do olhar
a seca lágrima-palavra
me lembra, cínica,
e sangra,
que esta lembrança
poderia ser uma outra
_ impossível e inelutável.
Escrito por Alessandra Espínola às 23:16
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Não, a morte não me atemoriza
nem me incita à vida
não sou devota aos santos,
ao sono, às roupas...
só essa sede essencial
me permanece
me habita.
Escrito por Alessandra Espínola às 21:31
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