Coquetel Poético


Luminâncias 

 

ser estrada
onde se perde
onde se abre, infinita!

***

cada ferida viva
destila: vida escrita.

**

seguir o fluxo do silêncio
até a seiva desabrochar no sol

***

asa e ponte
palavroam
aérea

***

debaixo das folhas
o silêncio fosco
descansa de seu verde

***

o silêncio
desnuda a noite
indecisa

***

a face seca
de lágrima
o peito encharcado
de concreta saudade

***

o abraço sem esforço
afeto e
osso

***

palavra desenha
e lava lavra e larva
na água marinha
do olhar azul

***

silêncio não cala
nem escreve
a fala

***

silêncio voa
é asalada palavra
que vibra e soa

***

ser estado de graça
a voz cifrando -
vociferando
o poema

***

tardiluída
acalentando
a noite floroída




Escrito por Alessandra Espínola às 13:46
[   ] [ envie esta mensagem ]




a noite de-sabre

na névoa voraz

no debrum da última tarde de maio

algas me espraiam, já mortas.

 

mapas traçados se desenrolam das ondas

na orla de meus cílios

desenlaço uma panela de barro

derramo cinzas memórias em alto mar.


caminho na fímbria do caos

e diante do rugido dos ventos

grito até rasgar as águas

o eco me volta atrás...

diante do nada da praia deserta pergaminho.

 

piso em cacos de vidros e anzóis de sal

punhalírico dentro da carne

lâminas âmbarinas despistam

meus passos enterrados

e trazem à tona - do naufrágio -

a tonta braçada

de quem quer se salvar.



Escrito por Alessandra Espínola às 12:37
[   ] [ envie esta mensagem ]




deito-me na areia da praia

como espumas esfumaçadas de instante em instante

olhos areados de luas e mil sombras de cores ao mar

como pedras enraizadas ao fundo do vazio imenso de mim mesma

o navio ao longe parte lento e chega já num sem onde

a névoa neblina toda a extensão da areia e de um horizonte curvo turvo quase corvo

os olhos se bifurcam e se perdem na distância, mareados

levo-me pó lagoa salina arrecifes nas nuvens do tempo

cravo os dedos na quentura da carne da areia da sombra de um coqueiro

nas solidões das noites com seu ventos tardios, vadios

a maré baixa violentamente na explosão da tarde

aliso a aspereza das vozes que todos trazem embutidas se equilibrando nas cordas

de grossas tramas enroscadas umas nas outras e seus rugidos antigos

nas ondulações e  variações de cada um que atravessa meu olhar

as palavras afundam nas águas e a boca salga o beijo

a pele nua se alumia em algas mortas

sangue seco craquelando a dor

todo o ser se abandona como uma carcaça ao vento

como barcos que aportam na areia no litoral de uma ilíada

estirada ao abandono do sol

como um estado de regresso à terra

nada mais



Escrito por Alessandra Espínola às 21:49
[   ] [ envie esta mensagem ]




poema novo em flor:


não tinha surpresas

nem papéis na gaveta

nem embrulhos

nem nada

o que havia era

o tempo

em chuva

em cachoeira

lavando a face cansada

levando os seixos da estrada

o tempo beijava fundo o céu da boca

e era como ponteiro que acertava as coisas

errava também e muito e mais

abria portinholas

cuco! cuco! cuco!

o tempo saía da penumbra

ligeiro ia cheirando o cangote

que num piscar de olhos desnuda a gente

e o tempo me cheirava a qualquer coisa

do tipo: quando vc está num maior roça-roça

a mulher diz pára, pára um pouquinho... mas o tempo vem penetrando nem diz nada,

e não pára não, e é até bom, porque do tempo não dá pra escapar... do toque do tempo,

da ternura que é o tempo... do domínio do tempo sobre o corpo

e cada vez mais ele vai penetrando até que a mulher e o tempo são uma coisa só.



Escrito por Alessandra Espínola às 15:08
[   ] [ envie esta mensagem ]




na casa velha

as folhas da goiabeira

caem do varal da tarde

***

pela janela da casa

a estrada ao longe

vem vindo à tona

***

no chão da casa

o nácar da lua

e mais eu

 



Escrito por Alessandra Espínola às 13:16
[   ] [ envie esta mensagem ]




dentro do aguaceiro

minha voz

muda

***

o pássaro

sobrevoa o próprio

tédio

***

Em silêncio:

aranha 

na teia

me tece

***



Escrito por Alessandra Espínola às 11:59
[   ] [ envie esta mensagem ]




mais fragmentos:

1. Entre o estresse e o prozac tem sexo?

2. Por onde ando nos labirintos de minha mente?

3. Sempre uma pergunta me lateja: o que é que estou fazendo aqui?

4. A cidade grande é pequena.

5. ... o estrondo de um avião que passa e o silêncio no meio... entre dois amigos... de repente, uma gargalhada explode...

6. No meu guisado de palavras podes se lambuzar, debaixo dessa árvore à sombra do verde, o capim meio úmido das chuvas e os brinquedos espalhados de mistérios...

7. Meu poente: anêmonas pousam na superfície da tarde.

8. Eu vi a poesia na beira da asa de uma garça.

9. A lagoa me circulava por dentro.

10. Estou em estado de embocadura.



Escrito por Alessandra Espínola às 15:57
[   ] [ envie esta mensagem ]




junho engendra miosótis...
os seres macios violinam chuvas
mergulham escamas na lua
esvoaçam lábios
encontram silêncios demorados
como vinho de longa data rubros olhos na penumbra
o som dos violinos penetra e atravessa vasculhantes
tremem suavemente paredes
acariciam gatos em sigilo, sutileza e elegância
a noite procura a terra
e rasca cascos com soberba
a noite dançarina mergulha auscuta revela
se deita com gatos passeando telhados...
junho, junho tece a mão sobre a face
a boca e o hálito sobre o mamilo macio quente
onde florescem begônias e rosas raras
fora de estação, ipês, flores de ar
e dentro da terra a chuva, raízes sedentas
junho também se abre discretamente
primaveras em estufas
junho estufa, infla, cresce na ponta dos galhos de árvores altas
junho destila maio
abraça julho agosto
perdura na carne das palavras
do passo da paixão encarnada de semente
junho engendra mundos...



Escrito por Alessandra Espínola às 10:00
[   ] [ envie esta mensagem ]




quando cai um poema:

indomável danação , ir lá
crestar as mãos em restolhos de navios,
na noite longa escura que me escuma
esmaga , escassa
e me abre fenda
abismo não deve ser só isto, istmo
pode ser o meu naufrágio de nadar golfinhos



Escrito por Alessandra Espínola às 20:28
[   ] [ envie esta mensagem ]




 

dos "papéis soltos"

fevereiro e março

a chuva na ladeira

e o beijo no mormaço

__

no telhado de casa

ocaso

e o vôo da garça

__

na beira do mangue

entre os araçás

o salto da rã

__

na casa velha

canta o cuco na parede,

de repente, o passado

__

entre a maré

e o céu da tarde

oxum oxumaré

__

no meu cortiço

a manhã se agita

espreguiça a gata ao sol

__

o vento

vira menino 

na carcunda da onda

__

mangas e maracujás -

na feira de manhã

era moça a vida

__

curiosidade:

puxar o rabo do gato

e sair voando a cavalo

__

no espelho da lagoa

a lua, o brejo

e o beijo dos namorados

__

chega nebulosa

de manhã

cega esperança

__

borboletas amarelas

pedaços de sol

explodindo no jardim

__

no quintal da casa velha

o cachorro

se fazia de chão

__

entre as pedras

e as águas

um mar de algas

__

no mangue seco

as palavras

são molhadas de silêncio

__

garças no mague:

brancas esperanças

no lamaçal

__

lagartixa na parede

amiga antiga

a espiar o tempo

__

borboleta no jardim

deus brinca de meninices

no quintal do mundo

***

aranha negra

não nega teia

a ninguém

__

lamparinas na casa

é fim de tarde

nos olhos da infância

__

no quintal da casa velha

o fruto maduro

persiste



Escrito por Alessandra Espínola às 20:56
[   ] [ envie esta mensagem ]




Fragmentos do instante 5:


1. A razão me desconhece.

2. Ando recolhendo abismos.

3. Me descuido das informações.

4. A palavra me desavença.

5. Estou desagregada de pássaros.

6. Porque a rosa é um gesto.

7. Esqueço de colecionar coisas, no futuro terei saudades.

8. Faço escultura de idéias.

9. Palavras o vento não leva.

10. A vida (vibra) na batuta do tamborim. Na palheta do pandeiro.

11. Onde a gente dói? Onde dói um homem?

12. Silêncio: é porque também descompreendo.

13. Dizem que tenho a poesia na veia, mas tenho a experiência do patético e do absurdo.

14. A realidade me desilude e me fadiga amargamente.

15. A vida é mistério sem enigma.

16. Escrever é a minha melhor hora.

17. Sou a conjugação das minhas relações e a agonia do que delas não pode ser feito.

18. É no intervalo da eternidade que nossos tempos se penetram.

19. A cidade inteirinha pode desabar. Ser levada pelas águas. Ainda faço um poema que não se podia. Levanto versos, coisifico prosas, crio uma linguagem de dizer deus.

20. Magnólias: Mulheres que amam a vida.

21. Eu toda ponto G.

22. Estou juntando os cacos, cascos, ossadas. Sobrou quase nada no meio-do-sem-fim de deserto de (meu) mundo.

23. A linguagem é um estado de aleluia em mim.



Escrito por Alessandra Espínola às 15:34
[   ] [ envie esta mensagem ]




O mar

toca flauta

no fímbrio ocaso.

**

  O vento

me bebe

a fina pele da flor.



Escrito por Alessandra Espínola às 16:42
[   ] [ envie esta mensagem ]




Lírio silencioso teus lábios

rasgo na vibração do sangue

leite que se abre em cálice,

poema da noite

no colo rugoso da bruta flor. Amo-te.

Às vezes, dolorosamente na aceitação da aurora.

O pensamento se dissolve no choque suave e irrigado

dos corpos. Uma coisa primitiva,

ingênua e selvagem succiona

um para dentro do outro.

Fonte milagrosa que mana mar,

urdir exasperado de funduras, cactos e flores n'água, cores lóbulos,

filetes carnudos, ilhas relâmpagos, encostas, sal e pedra,

crepúsculos, cascos no horizonte faminto.

És espírito no meu ventre, te beijarei até o escarlate da aurora

como uma salamandra queimando e dançando a noite.



Escrito por Alessandra Espínola às 15:05
[   ] [ envie esta mensagem ]




eu gosto da tua axila
teu omoplata
teu costado
tua penugem rara
teus pêlos nos cantos, nas extremidades
o cotovelo e as mãos de quem tenta agarrar o tempo
o teu tempo me contorna e me acelera
o teu hálitolhar toque me desatinam
desatinos são beijos que molham
amolecem a carne e sugam a gente
do mundo,
busco saber-te e, é em vão
que te busco e se te sei também é vão,
vão em que se cai perdidamente.
Assim, de uma hora pra outra.
Te busco com os olhos, com a palavra,
com a língua com a boca com o braço a mão
com o gosto da minha boca na tua boca tua pele
e quando te busco é quando te dou um poema sinuoso
girassol na garganta flor branca-grená da aurora
girandola de beijos
fome arisca e furiosa sede
ferocidade e gosto,
tu me orvalhas
tua voz teu som tua cadência são lambidas de cão na minha orelha
e eu te deito no meu colo noturno
afago-te em meu peito... tudo extremece e tudo se acalma...
somos barcos metidos na neblina
bocas, sons de bocas
devorando fomes profundas.


Gosto de teus dedos dedilhando uma música clássica no meu velho piano.



Escrito por Alessandra Espínola às 18:14
[   ] [ envie esta mensagem ]




meu corpo quer o movimento de outro corpo
meu corpo quer o cheiro de outro corpo
meu corpo quer Língua olhos lambidos esponja noutro corpo

meu corpo quer o movimento do meu corpo noutro corpo e o movimento do meu e do outro no meu corpo
sol cativo na flor
candelabro de lua nas folhas uma tarde na varanda
quero outro corpo aplainando meu corpo
grandes cidades, buzinas longe, bicicletas, BRs, viadutos, túneis,
cais, portos, pontes, aeroportos, velo(z)cidades
rude rugido de aeronaves, pássaros soltos alvorançando a lua, vento, o que é o vento? sou eu e somos nós em movimento, caminhões,  poças d'água engolindo guardas,

peixes grandes rascando a superfície, respirando a boca do rio,
correntezas, fogueiras altas, luz trêmula sobre os corpos,
cicatrizes, umbigo, brasa dentro das raízes, vulcão,
lava percorrendo a coluna e mãos perdidas
reencontrando as margens



Escrito por Alessandra Espínola às 11:14
[   ] [ envie esta mensagem ]




entre as folhagens
desce a tarde selvagem
braços beirando flores
azul jasmim
surge sobre a solidão
muda de março
a névoa cigana de abril

***

da minha janela:
no fim de tarde de abril
clarão de pássaros
corta o horizonte.

***

Pássaro marinho
traz à tardezinha
ramos soltos de sonhos,
escamas de maio
pescando junho.

 



Escrito por Alessandra Espínola às 12:39
[   ] [ envie esta mensagem ]




no descontentamento de flor-enigma

que se abre e se desterritorializa

enfraso o mundo

desvendo um espaço
em território nenhum,
artesanato no vazio
isso sim!



Escrito por Alessandra Espínola às 20:26
[   ] [ envie esta mensagem ]




Fim de Tarde

de repente, o fim de tarde
é cinza
na fala desconjuntada das cores
é feroz,  voraz, cruel

o fim de tarde
nos seus lábios é vermelho furor

intermitente lume ferida
de ser signo e amor

fim de tarde
é uma estrela que arde
palavra perfume partida



Escrito por Alessandra Espínola às 17:48
[   ] [ envie esta mensagem ]




Girândola Lírica

No castelo submerso
de ponte levadiça
dedilho minha saga de sina.

(sentido, seca-silêncio e sol...)

***

Na grama,
pingos grossos de manga
ainda dentro do outono
o verão o vento o verso.

***

Furacãozinho de folhas:
uma porção de outono
nas mãos do vento.

***

No drapeado da concha...
no embaraçado das ondas...
o silêncio da pérola palpita.

***

Busco no ventre noturno
o movimento sólido
a matéria do líquido
a imanência bojuda do verso.

***

Succionado do ventre úmido
ao subjacente do sonho
a palavra escangalhada de vida.

***

Junto os estampidos
num canto silencioso de mim
como gesto antigo
de guarnecer memórias.

***

Na raiz, é florescente o infinito
e o tempo perpassa
fendas ásperas no verso.

***

No côncavo obscuro do osso
a goiva da palavra
(desassossegada)
talha-me o verso.

***

Erosão do horizonte
sem brilho nem ruído,

dentro da bruma
golfo no glossário de sombra.



Escrito por Alessandra Espínola às 13:50
[   ] [ envie esta mensagem ]




Navegações

trazia tesouros
navegáveis
o íntimo da garrafa vazia

***

água, pós de mares
e por acaso, um destino
no limbo do horizonte

***

berço que nina
minha angústia:
palavra sem origem
nem destino
não dorme

***

ondas temíveis
abortam a partida
eu, indizivelmente,
continuo a escrever a vida


***

a praia resiste
às águas (?)
nem um grão escapa
à delicadeza do vento

no outono nascem os poemas.

***

Sol na língua do horizonte
ilha mergulhada
em sobrevôo de pássaros,
e o silêncio me povoa.


Escrito por Alessandra Espínola às 11:52
[   ] [ envie esta mensagem ]




dos "papéis soltos"

no quartinho da cisterna
a mulher solitária
canta úmido-macio

ººº

o gato bebe a chuva
na poça
de lua cheia

ººº

o céu: black tie
a terra se preparando
para a festa

ººº

folhas de bananeira
rasgadas pelo vento
cobrem frutos frescos

ººº

num círculo de sol
as horas passadas
são sombras


Escrito por Alessandra Espínola às 20:16
[   ] [ envie esta mensagem ]




[Desfazer-se...]

Desfazer-se no silencioso

corte espinhento da noite

desmontar os sentidos

renomear as coisas, o nada

amanhecer  quebra-cabeça

de corpo

reinventar o próprio amor

sobre a colcha (vazia)

que de novo retalha.



Escrito por Alessandra Espínola às 19:30
[   ] [ envie esta mensagem ]




[Sorver a Língua]

Sorver a língua

indefinida de sons

sugar a lisura

áspera das entrelinhas

morder a carne do significado

molemente adociada de gestos.



Escrito por Alessandra Espínola às 16:40
[   ] [ envie esta mensagem ]




[os barcos...]

os barcos do mundo estão tristes,
há uma âncora no caos
a morada do verso onde
dorme o nascente quando
a vela se abre e o vento
infla o tecido do tempo



Escrito por Alessandra Espínola às 18:07
[   ] [ envie esta mensagem ]




[baixar a ponte...]

baixar a ponte
rizomática
lançar sol
chuva à terra
esperma
sangrar flamância
desferir a história
palimpsestar a língua
ao substrato da memória.


Escrito por Alessandra Espínola às 08:56
[   ] [ envie esta mensagem ]




é isso:

não possuo as respostas
sou apenas o delicado traço
do ponto de interrogação


Escrito por Alessandra Espínola às 08:24
[   ] [ envie esta mensagem ]




[transmutar o silêncio...]

transmutar o silêncio
desengasgar a palavra
muda na glote
consolidar  o poema
brincar de pega-não pega
traduzir-se como possível hipótese
construir os sentidos
'arquitentando' as palavras.


Escrito por Alessandra Espínola às 15:40
[   ] [ envie esta mensagem ]




receituário enigmático

petrificar a luz
desorbitada
no caos.

xilogravar o cosmo
em espiral oblíquo
na ossatura do corpus
da linguagem.


Escrito por Alessandra Espínola às 13:58
[   ] [ envie esta mensagem ]




devo dizer:
desembesto caminhos                                                                                                                                          no labirinto sem tochas
quando fogo
é por acaso
fátuo e opaco
quando apago
à tardinha
sonho um santuário ao deus



Escrito por Alessandra Espínola às 15:44
[   ] [ envie esta mensagem ]




[A vida...]

a vida fragmenta reflexos
esgrima de esfinges
no olho que é espectro



Escrito por Alessandra Espínola às 11:45
[   ] [ envie esta mensagem ]




[Protesto e resigno...]

Protesto e resigno adeus

perder é inevitável

e eu ganho

quando me contraceno

no hiato entre as palavras

e com a versão mais nova

do costado de um espelho

onde não se vê nada

(no chumbo do que foi gasto)

como quem olha o céu

debaixo d'água

submergindo com seu grito

náufrago,

deixarei os restolhos de um velho navio

rangendo surdez e adeuses



Escrito por Alessandra Espínola às 12:19
[   ] [ envie esta mensagem ]




[A travessia...]

a travessia tem disso:
o rastro perdido
do seu caminho
a travessura do passo

 

***

 

[Morder...]

morder a uva
e engolir o estouro da semente
plantada no absinto e no silêncio



Escrito por Alessandra Espínola às 13:33
[   ] [ envie esta mensagem ]




[meu caminhar é...]

meu caminhar é lento
e tenho pressa
treva, céu parado, pedra
capim em vão no poço,
água de esgoto secando ao sol
miasmas, cansaço de cinzas,
pólvora no paiol !

meu caminhar é lento
e tenho pressa

larva se debatendo na lama
lesma correndo na grama

briga de foice com a palavra

retinir de sino

cair de forro (do teto)


meu caminhar é lento
e tenho pressa



Escrito por Alessandra Espínola às 19:21
[   ] [ envie esta mensagem ]




na rota

da brisa e do verso

navega a pétala

**

desfolha-se o pé de jambo:

no tapete cor-de-rosa

refloresce o passo da moça

***

céu vazio

de nuvens

beija-flor o tempo



Escrito por Alessandra Espínola às 11:40
[   ] [ envie esta mensagem ]




Outono.

Beija o ramo dos cabelos

folhas grisalhas.

***

Cheiro verde

chuva ao sol.

Arco-íris no canavial.

***

Noite beija

a vidraça.

Visão baça.



Escrito por Alessandra Espínola às 16:59
[   ] [ envie esta mensagem ]




Um galho pende.
Folha seca ao sol
no pé de graviola do quintal.

***
Sol girando a cortina
de nuvens
girândola de luz.

***

Caleidoscópio de jóia.
Réstias de sol
na clara bóia.



Escrito por Alessandra Espínola às 16:04
[   ] [ envie esta mensagem ]




[Coisa voraz...]

 

coisa voraz e branda

que a voz reclama

ouço-a tocar na vidraça...

na mureta da varanda

no telhado como quem anda

 

coisa viva e canta

beija os lábios

do segredo da penumbra

num gemido polifônico

nem a noite cala o que oculta

 



Escrito por Alessandra Espínola às 15:35
[   ] [ envie esta mensagem ]




Abro a gaveta.

Memórias sonâmbulas

arbustos de algas

folhada de vôos

boiando sobre a face

do verso

 

cheiro de musgo

viciando madeira, papiro, pedra

murmúrios da púrpura pétala

entre as páginas do nosso livro de névoa.



Escrito por Alessandra Espínola às 18:45
[   ] [ envie esta mensagem ]




[Pousa...]

Pousa tua Língua nos meus lábios

 

trincados de doçura

 

suaviza a vida-voz do poema

 

escura, agônica, sedenta,

 

inconsolável_mente absurda.



Escrito por Alessandra Espínola às 11:15
[   ] [ envie esta mensagem ]




Foste tu morte

quem cortaste

meu riso de sol

 

um dia ainda

vou rir da tua cara

cara a cara



Escrito por Alessandra Espínola às 13:24
[   ] [ envie esta mensagem ]




(ainda dessa que sou)

A vida é uma

folha

      de zinco

             zarpando

                    zunindo

                           solta

                                na tempestade



Escrito por Alessandra Espínola às 13:56
[   ] [ envie esta mensagem ]




[A vida... ]

A vida é uma

urticária gigante
(essa que sou)

pode ser

que dizer

desintoxique.



Escrito por Alessandra Espínola às 16:07
[   ] [ envie esta mensagem ]




[não há...]

Não há consolo
inútil o consolo
Só o gesto de escuta,
olhos atentos aos meus
contidos de silêncios.

Só esta fenda para o amor.

Não há nem a tua mão sobre a minha.

Escrito por Alessandra Espínola às 14:51
[   ] [ envie esta mensagem ]




vê só, ando num silêncio quente,
caminho como quem tateia no escuro,
asas abertas à noite, cintilando movimentos,

é que tem vez que é tão difícil dizer coisas...

ando também agressiva com as palavras,
e elas cada vez mais tão profundamente delicadas em mim,

corte no corpo

um vermelho de palavras
parindo dores que sepulto sempre,
mas um leve toque à superfície
vem aquela coisa tão boa e alegre
e transporta e transmuta toda palavra
numa caligrafia de desejos na pele
que nem consigo dizer coisa alguma...

um bater de asas
e a dança de pó colorido de vôos
de véus, de sol varando a escura idade...


Escrito por Alessandra Espínola às 07:19
[   ] [ envie esta mensagem ]




sussurros:

silêncio e cintilância
som de flores d'água

desabrochando na
superfície do tempo

Escrito por Alessandra Espínola às 10:03
[   ] [ envie esta mensagem ]




poema triste:

é beco
a sombra chega

cinzamente
se esgueirando

nos umbrais
da boca

Escrito por Alessandra Espínola às 11:04
[   ] [ envie esta mensagem ]




Em abril III

A vida em festa

ornamentou o céu

amarelo sobre lilás,

remansoso o mar

deitou-se sobre areia

para amar uma mulher

nascida em abril.

Escrito por Alessandra Espínola às 17:53
[   ] [ envie esta mensagem ]




Em abril II

Empoeirada manhã,

cheiro de sol guardado

nas folhas de outono

despertando em abril.


Escrito por Alessandra Espínola às 17:14
[   ] [ envie esta mensagem ]




[Desejo...]

Desejo o sorriso de asa

e vôo raso de sol,

um nítido na escuridão

um rútilo poema

na sombra crepuscular

do meu porão.


Escrito por Alessandra Espínola às 13:30
[   ] [ envie esta mensagem ]




em abril...

chuva tardia de verão

abriu silêncio íntimo de outono,

vida nítida sobre sonho

Escrito por Alessandra Espínola às 11:08
[   ] [ envie esta mensagem ]




Penumbra púrpura

fonte teu fundo

flor fulva de sol

teu sorriso de sombra.


Escrito por Alessandra Espínola às 18:24
[   ] [ envie esta mensagem ]




vem lá do confim

borboleta-bruxa,

um marrom purpurinado de prata,

pousa no topo

da flor,

por um instante,

vira dama da noite

no noturno do meu jardim

Escrito por Alessandra Espínola às 11:27
[   ] [ envie esta mensagem ]




às vezes, é só sem dor,
sem frio, nem calor
sem fome, sem som de nada,
nem vozes nem fotos antigas
não mais sangue,
é uma coisa sem nome

Escrito por Alessandra Espínola às 10:56
[   ] [ envie esta mensagem ]




I

Pássaros empalhados de ventos

tecem ninhos no cabelo das árvores,

onde piam silêncios.


II

beija a flor

fluindo na ciranda das pétalas,

colibri dançarino dentro da casa.


III

Aguadouro de silêncios,

Moringa guarnecida de pétalas

E um alguidar entocado de pássaros.


Escrito por Alessandra Espínola às 12:44
[   ] [ envie esta mensagem ]




nesse crepúsculo
lhe preparo um incendiado
de palavras.
recolho as amêndoas mais frescas,
sento-me à sombra da amendoeira
na rua da ladeira, pensativa, dilacerada
e olho a colina
as casas, os homens e suas solidões no alto.
depois da colina um mundo que urge, gane, grita...
silenciosa, planto uma ilha sobre raízes
lodo, algas à beira dos passos
afago um pássaro no galho
e um cão que se deita ao meu lado.
Anoitece.
Na hora exata
o de dentro das amêndoas
explode no meu palato
e tomada de sonho e seiva
a auréola da lua se expande farta
uma poesia de sol fremente nos lábios
e no esconderijo, grito-vôo de pássaro.

Tempo de ouvir suas canções
de contemplar luares
cobrir-me de relento
e amanhecer de repente
dentro de barcos
com remos e cascos
em busca do ancoradouro
dos teus lábios.



Escrito por Alessandra Espínola às 12:36
[   ] [ envie esta mensagem ]




[anoitecer...]

anoitecer prematuro

de sombras,

forma de algas,

adocicados aromas

e uma tarde (de março)

espargida na praia

plena de verão.

Escrito por Alessandra Espínola às 15:19
[   ] [ envie esta mensagem ]




lírica

sobre meus lábios

a lua, a noite

e teu hálito cálido

~~

sobre tua face

girassóis de março

e uma tarde baça



Escrito por Alessandra Espínola às 14:17
[   ] [ envie esta mensagem ]




revi os silêncios
rumorejando a madrugada
todos bêbados procurando a lua,
o chão, as chaves
nas mãos,
revi a trama das palavras,
seus ardis
e a asa de luz que arde
flama sem repouso
chama consumindo o ar o espaço
e eu a um passo
(do confim)
desse Eu Outro em Mim


Escrito por Alessandra Espínola às 09:40
[   ] [ envie esta mensagem ]




enguia elétrica
dentro da água
corrente

língua de serpente
dentro do fundo
barrento da gente

o poema

Escrito por Alessandra Espínola às 14:02
[   ] [ envie esta mensagem ]




dentro da flor

fulva , silenciosa cerda

alvura ensolarada se abrindo

no horizonte da pétala

Escrito por Alessandra Espínola às 08:42
[   ] [ envie esta mensagem ]




o bico aberto do tempo
na casa de alpistes
alimenta fome sede sonho de vôos

ar e terra,
asas desabrochando
ninhos de primaveras!



Escrito por Alessandra Espínola às 10:18
[   ] [ envie esta mensagem ]




[infinitude]

É infinita uma tarde
de domingo,
é infinita a noite
antes da lâmina,
é infinito o sulco do corte,
é infinita a manhã
depois do grito,
é infinito saber-me
vago ponto no espaço
repetido, alongado
gesto de mão
que segura o ar,
o aço.

Escrito por Alessandra Espínola às 14:52
[   ] [ envie esta mensagem ]




[ave palavra]

Ave palavra!

asa da crisálida

a roçar o céu da boca

e depois do passo nos ares?

dos pares de asas?

depois, aflição de ser pássaro

vôo , brisa dentro da casa.

Escrito por Alessandra Espínola às 09:24
[   ] [ envie esta mensagem ]




Lanço nos ares o pássaro aflitivo

Sobrevoa os abismos,

Arfante, ainda não trouxe o ramo no bico.


Escrito por Alessandra Espínola às 10:05
[   ] [ envie esta mensagem ]




No silêncio do roxo-azulado

o peito apunhalado sangra

um incêndio o céu da tarde,

e o grito lacrado do pássaro sem nome

sepultando o branco dos olhos

calcinando a face.

Escrito por Alessandra Espínola às 11:33
[   ] [ envie esta mensagem ]




Face de flores no sonho

um ser inominável, pés nebulosos

fibra intocável sem membros,

Na ponta da faca

o fel e a gota infinita do tempo

depois do feixe de luz na janela

e dessa febre anunciada

o zunido da lâmina cortanto o ar

o espaço

minha morada.

Escrito por Alessandra Espínola às 09:09
[   ] [ envie esta mensagem ]





a dor atropela-me

na rua dos fundos,

na infinitude da noite

o escuro cortante

segue , sangra

em golpes invisíveis,

espasmos no vazio do ventre

fala a voz do silêncio

faz o escambau

passa por todo o dentro de mim

o abismo,

é assim que é.

Escrito por Alessandra Espínola às 08:25
[   ] [ envie esta mensagem ]




poemas de estação 4

som, risos e lua da tarde
a noite não adormecia,
só risos...

***

finda noite primaveril,
o cheiro de jasmim
buli impassível
nos campos de mim

***

é lua nova
no (des) caminho
o menino
com a velha solidão

***

anjos...
com asas trançadas de sonhos
se metem à besta,
metamorfoseiam-se

***

no meio do lago
pedra n’água
não cessa, não cessa
a onda larga

Escrito por Alessandra Espínola às 11:49
[   ] [ envie esta mensagem ]




poemas de estação 3

piás,
azucrinam crepúsculos
manhãzinha...
arrulham-se na gostosura das horas

***

na transparência das rosas
o reflexo da prímula
buliçosa sombra da guria
tarda lua

***

férias da estação
sonhos de papo pro ar
nuvens na cabeça
e o mundo nas mãos

***

manhã de primavera
sem bater asas,
pássaro voou

***

entre fios
do sol de cobre
se coça a relva,
apontada para o nascente
bronzeia as horas

Escrito por Alessandra Espínola às 09:16
[   ] [ envie esta mensagem ]




poemas de estação 2


manhã lisa,
sabiás cantam valsa,
no capim molhado,
angorá se alisa

***

vento na garupa
a garota pedala,
alada...
de bicicleta

***

eram rastros seus cabelos
no silêncio, o interstício
música tamborilando no peito
corporal_mente, ventos
alísios e contra-alísios

***

vôo solo
pardal (ex) palha
silêncio no ninho,
no céu, estio

***

a saia da menina
abanava em leque,
era brisa cheia de sol
formigava o rosto do moleque

Escrito por Alessandra Espínola às 14:18
[   ] [ envie esta mensagem ]




poemas de estação

(aos adolescentes)


das mangas precipitadas no mato

soçobravam os olhos do menino só

sobravam bagaços

~~~~

à tarde,

passarinhada abriga o pôr do sol

debaixo das asas

de madrugada,

serenata

~~~~

sua vez

beijos, beijos...

suaves

~~~~

carrapicho no pé

fruto da meninice...

dos dias em que se caçava grilos

e se acendia o nariz com girassol

~~~~

andorinha

passeia no azul celeste

depois do arco-íris,

a paz


Escrito por Alessandra Espínola às 08:58
[   ] [ envie esta mensagem ]




Alguma coisa é gerada no ventre da noite, na contração do mar, e urgentemente. De cócoras, me pede pra não morrer.
Assim como eu, acho que o que escrevo não chega a ser, é sempre, apenas, intenção.

Me lambe o recife dos teus olhos, cintilâncias, transparências e névoas, quando não me dou mais conta, estou ao fundo, areia encharcada de água e sal, mergulhada em águas desconhecidas que me levam para perto de...
Desancorada resvalo-me em horizonte alheio, percorro meus olhos para onde teu olhar viaja, e me leva teu mar, me aporta em terras ainda não visitadas, então eu te visito e, é aí também, que sou revisitada.

Me umedece a macieza verde do teu olhar, frondosa árvore entre sombras e trepadeiras, coisas-bosques suaves e latejantes que se entrelaçam num silencioso desenrolar-se de galhos retorcidos e seiva numa atmosfera entre nervuras de folhas e gotas de orvalho, verdíssimas e acarpetadas. Tomara pudesse cravar minhas raízes em tuas terras, adentrar veios, desviver semente e me aninhar no caroço da Terra.



Escrito por Alessandra Espínola às 07:49
[   ] [ envie esta mensagem ]




Em três tempos


Esse é o tempo,

das árvores construírem

ninhos nas mãos.


***


O menino ancora

a vida nas memórias

e brinca nas espumas do tempo.


***


A borboleta chega tarde

para o encontro,

e tão cedo tem que partir.




Escrito por Alessandra Espínola às 08:01
[   ] [ envie esta mensagem ]




Frige quando é poesia

é quase dor,

ar_dor.

Desejo,

é que dançam

salamandras no peito.



Escrito por Alessandra Espínola às 12:21
[   ] [ envie esta mensagem ]




Um ser de tardes

Se debruça sobre a carnadura do poço,

Seu feixe de luz transpassa

a folha de amianto,

cava funduras móveis

até ao oculto branco do osso,

Nascer também é para dentro?



Escrito por Alessandra Espínola às 08:27
[   ] [ envie esta mensagem ]




Do Livro "fragmentos do silêncio"
(versos esparsos)

de André Boniatti

XXVII

barro é o homem,
ar nos pulmões e fogo no coração

XXVIII

repouso no caos,
movimento e processo,

CXLVII

espero por deus como quem não tivesse dinheiro para
voltar,

~~~

mais do autor: http://www.recantodasletras.com.br/autores/poiesismorias

Escrito por Alessandra Espínola às 12:14
[   ] [ envie esta mensagem ]




Vento na janela
Serenata
À flor amarela

~~~

Gritos de pássaro,
Noite assustada
Chove

~~~

Vaga lume
Na centro da sala
Vaga lua

~~~

Volta e meia,
É meia lua
A noite inteira.


Escrito por Alessandra Espínola às 10:37
[   ] [ envie esta mensagem ]




Não nego ser pedra de cais
Nem pétala lançada ao mar.
Face de gumes,
Traço caminhos de pó e sol
Sal e algas.
Corpo de espumas,
Som ancestral de guelras
Navego névoa
Alimento lumes,
águas.



Escrito por Alessandra Espínola às 10:45
[   ] [ envie esta mensagem ]




Minha angústia

É vaga

Epiléptica silenciosa

Momento de nume do nada

***

Vida é atropelo

Choque íntimo e confuso de carnes

Distorção de fábulas

Memórias, espetadela de fuso

Desenredo de fadas.


Escrito por Alessandra Espínola às 09:43
[   ] [ envie esta mensagem ]




Ele brinca tanto que vira coisa séria, o "musicopoeta" Nelson Luiz de Oliveira nos proporciona momentos de beleza, alegria, poesia e prazer. A imagem , o som e a palavra são os brinquedos desse nosso amigo matreiro, que vive fazendo Arte!

No link abaixo, o "Vôo Poético" e mais três vídeos do lançamento de seu recente Cd "Linguagens".

http://br.youtube.com/results?search_query=oliveiranelson

Escrito por Alessandra Espínola às 14:14
[   ] [ envie esta mensagem ]




Atrás dos cúmulos de pálpebras
Os raios da íris
Atingem a superfície das lágrimas,
Do sonho ; suor e sumo.
Do abismo que se abre
À tona o Outro,
O que há , por exemplo,
Entre setembro e outubro e
agosto e setembro?
Entre o espelho e o rosto,
A terra e a ilusória lona azul do firmamento?


Escrito por Alessandra Espínola às 08:06
[   ] [ envie esta mensagem ]




Poema I

poema é pupa
vocábulo desdobrável
do casulo,
asa da crisálida
a acariciar o céu da boca

~~~~~~~~~~~~

Poema II

Mar retinto de amoras
Jardim cercado de arco-íris
Dentro: dança emancipada de flores
E polens, frágil colorido das horas.

~~~~~~~~~~~~

Poeta

Traz a memória
conjunta à imaginação
- punhal de flores,
argila modelada de vento,
ampulheta em movimento
silêncio de pedra,
grão-poeta
o “não elaborado momento de água”*
Chuva de frágua.



Escrito por Alessandra Espínola às 11:57
[   ] [ envie esta mensagem ]




Na casa velha

é tarde de canções

outubro de fogo e vento

alarido de cães


Escrito por Alessandra Espínola às 10:48
[   ] [ envie esta mensagem ]




Crepúsculo

alquimia, pupila rubra

dilatada no horizonte

ouro-ocre, cobalto, púrpura

cobre-brasa, zinco, fonte

anos-luz, decrescente

estrela bruta

Escrito por Alessandra Espínola às 12:40
[   ] [ envie esta mensagem ]




Estertor de pássaro arremessado na íris

o instante nascente à beira

vida me olhando de dentro.

No cume, clímax do Grande Gozo

fixo meu olhar no nada,

a essa substância me lanço

e descubro o inexorável.


Escrito por Alessandra Espínola às 13:48
[   ] [ envie esta mensagem ]




instante existir de estrela

tronco bruto retorcido ao sol

silencioso punhado de areia

pólen, escamas, teia

tosca delicadeza sou


Escrito por Alessandra Espínola às 08:34
[   ] [ envie esta mensagem ]




olhares II

olhos aguados
debruçados na beira da infância
vertigem no de dentro
líquido tenro

***

rútilos olhos escuros
encravados de apetite
na carne da palavra

***

olhos de púrpura
habitados de doçura
beijam a boca da noite

Escrito por Alessandra Espínola às 08:37
[   ] [ envie esta mensagem ]




olhares I

gota d'água espatifada
última breve temporada
grito de pássaro estirado nos olhos

***

olhos invernais
seca e escuridão
sopros de vida encarnados na pedra


Escrito por Alessandra Espínola às 08:51
[   ] [ envie esta mensagem ]




Porção

Vida é disjunção
porçãozinha do infinito
Nada.
Luz, sombra
sal, areia, alga.
Abertura de águas.



Escrito por Alessandra Espínola às 12:54
[   ] [ envie esta mensagem ]




Leveza,

pontes suspensas

nas pálpebras.



Escrito por Alessandra Espínola às 08:42
[   ] [ envie esta mensagem ]




Releitura: Brincando com Drummond

Quando nasci
Não veio anjo nem nada.
Dizem que chorei.
Até hoje,
torta e tonta na vida
tenho na boca
o sal da lágrima,
o gosto de pedra
e essa palavra a meio do caminho
dizendo:
desempedra e
vai ser pétala na vida!
Com licença, (Drummond)
Eu sou.


Escrito por Alessandra Espínola às 10:19
[   ] [ envie esta mensagem ]




Na sonoridade de esboço da natureza,

tenho quase nada,

bruma, sopro e sombra.

Montanha sépia violeta -

ilha, horizonte, água.


Escrito por Alessandra Espínola às 06:24
[   ] [ envie esta mensagem ]




Fui sombra de pássaro


nas tuas mãos, ó criança!


Depois de bater asas,


atravessou-me teu vagido, no nada.



Escrito por Alessandra Espínola às 14:54
[   ] [ envie esta mensagem ]




A você que me permite:

E vai me abrindo sedosa
- pétala por pétala –
a tua língua silenciosa.


Escrito por Alessandra Espínola às 12:41
[   ] [ envie esta mensagem ]




na soleira da porta
de tuas palavras
sento-me esperando
extenuada
no dia da noite
do choro,
do lado de fora
vi o olho mágico
me olhando por dentro


Escrito por Alessandra Espínola às 22:21
[   ] [ envie esta mensagem ]




Luz da manhã

 

luz da manhã

refletida pelo arco da lua

no negro grito nu

 

inscrevo teu nome

da fundura do desejo

à pele da flor,

lua da manhã

sombra que afaga o sonho

acalenta suave

a desforme intimidade

do ser,

 

intensa e dolorida espera

para a hora ah final inútil !?



Escrito por Alessandra Espínola às 23:58
[   ] [ envie esta mensagem ]




Ventre do Poema

Entro no jardim das Imbiribas
ponho meu abadá e berimbau no canto,
e nua no banco
volto a ser menina
me lambuzando toda
esculpindo meu corpo de mulher,
diante da cachoeira que seduz
bandos de pássaros trazem ramos
e no ventre do jardim de um mangue
germino espécies, sementes e rego luz.



Escrito por Alessandra Espínola às 20:50
[   ] [ envie esta mensagem ]




Desloco-me do eixo central

perco o fio da caminhada

tropeço e desvio o “pé-de-lebre”

da carreira  do trem,

olho o horizonte a esmo

e vejo surgir o nada

Ah, eu... duas,

A outra,  aprisionada no porão do tempo,

no barraco, hoje soterrado

por pés silentes  que subiram e desceram aquelas escadas

e que pisaram aquelas terras ,

cavo, incansavelmente,

arranho calendários

levanto-me no outro fluxo

extenuada de quedas infinitas

no túnel sem luz,

só um fiapo me resta, apenas,

agarrado entre os movimentos.



Escrito por Alessandra Espínola às 17:06
[   ] [ envie esta mensagem ]




Empurro meu barco contra as ondas e

rumo ao horizonte

no recurvo oceano

o relâmpago lunar

atinge a barcarola,

ponho-me de pé,

empunho anzol sem isca

e sem ferir o céu,

com jeito,

sou pescada pela lua.



Escrito por Alessandra Espínola às 09:19
[   ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]


 
Histórico
  01/12/2015 a 31/12/2015
  01/06/2015 a 30/06/2015
  01/11/2011 a 30/11/2011
  01/10/2011 a 31/10/2011
  01/09/2011 a 30/09/2011
  01/08/2011 a 31/08/2011
  01/07/2011 a 31/07/2011
  01/05/2011 a 31/05/2011
  01/04/2011 a 30/04/2011
  01/12/2010 a 31/12/2010
  01/11/2010 a 30/11/2010
  01/07/2010 a 31/07/2010
  01/06/2010 a 30/06/2010
  01/04/2010 a 30/04/2010
  01/03/2010 a 31/03/2010
  01/02/2010 a 28/02/2010
  01/12/2009 a 31/12/2009
  01/11/2009 a 30/11/2009
  01/10/2009 a 31/10/2009
  01/09/2009 a 30/09/2009
  01/08/2009 a 31/08/2009
  01/07/2009 a 31/07/2009
  01/06/2009 a 30/06/2009
  01/05/2009 a 31/05/2009
  01/04/2009 a 30/04/2009
  01/03/2009 a 31/03/2009
  01/12/2008 a 31/12/2008
  01/10/2008 a 31/10/2008
  01/05/2008 a 31/05/2008
  01/04/2008 a 30/04/2008
  01/03/2008 a 31/03/2008
  01/02/2008 a 29/02/2008
  01/01/2008 a 31/01/2008
  01/12/2007 a 31/12/2007
  01/11/2007 a 30/11/2007
  01/10/2007 a 31/10/2007
  01/09/2007 a 30/09/2007
  01/03/2007 a 31/03/2007
  01/02/2007 a 28/02/2007
  01/01/2007 a 31/01/2007
  01/12/2006 a 31/12/2006
  01/11/2006 a 30/11/2006
  01/10/2006 a 31/10/2006
  01/09/2006 a 30/09/2006
  01/08/2006 a 31/08/2006
  01/07/2006 a 31/07/2006
  01/06/2006 a 30/06/2006
  01/05/2006 a 31/05/2006
  01/04/2006 a 30/04/2006
  01/02/2006 a 28/02/2006
  01/01/2006 a 31/01/2006
  01/12/2005 a 31/12/2005
  01/11/2005 a 30/11/2005


Outros sites
  meus textos no Recanto das Letras
  Recanto das Letras
  Poeta, cronista e tradutor Luiz Guerra
  Alice Daniel
  Nel Meirelles
  Usina das Palavras
  Nelson Oliveira - é jornalista, poeta e músico
  Tiago Tejo
  Dicionário Michaelis
  Lingua Portuguesa On-Line
  Jornal de Poesia
  Perereca
  José de castro
  Ana Maria Costa
  Ana Costa
  Tatiana Castro
  Luciana Melo
  Ricardo Mainieri
  Andrade Jorge
  Rosa Berg
  Ver o Poema
  Vinícius de Moraes
  Hilda Hilst
  Glauber Rocha
  Alice Ruiz
  Clarice Lispector
  Glauco Mattoso
  Ana Cristina Cesar
  Verdes Trigos
  Rubens da Cunha
  Kika Cardarelli
  1000 Imagens
  Otávio Augusto Marin
  Cláudia Freire Lima
  Andrei Portugal
  Liah Maroni
  Carlos Rodolfo Stopa
  Aluísio de Paula
  Roberto Passos do Amaral
  Lavínia Saad
  Maria Helena Sleutjes
  Francisco Coimbra
  Assim - Complementaridades
  Assim (F.C.)
  Henrique Mendes
  Enzo Carlo Barroco
  un dress
  Escobar Franelas
  Mais Maria Helena: Véus de Maya
  Nelson Luiz de Oliveira
  Miolando
  Claudia Perotti
  Saramar
  James
  Bhall Marcos
  ~pi (passages)
  Joaquim Amândio Santos
  Anatema
  Benoni Araújo
  Pedro Vianna
  Giulia Peroti
  Bárbara Lia
  Otávio Coral
  Rosasiventos
  Narjara
  Ellen Veloso Soares
  Tomáz
  Lucius Kod
  Luciana Marinho
  André Boniatti
  Luiz Gustavo Pires
  Máh Luporini
  Viver é pura magia
  Tiago do Valle
  Otávio Augusto Martinez
  otto M.
  Leandro Honorato
  Ana Valéria Sessa
  Angelique du Coundrey
Votação
  Dê uma nota para meu blog