|
|
Temporal
Tão tenso
o medo no peito
Tão apertado
o peso da pálpebra
Tão abafado
o tempo no ocaso
e o ar rarefeito
sufocou a palavra
na íris.
O céu,
na boca,
nublado.
Na língua,
cumululimbus.
A lua,
na goela,
dilatada.
flamejante...
Fundiu
no estômago,
chuva ácida.
Escrito por Alessandra Espínola às 19:49
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Numa noite turva
as estrelas dormiam silentes
a vida não se calava
o mar agitado
reclamava solidão!
Não a solidão dos amantes da televisão
mas aquela companheira de quem sabe-se
por inteiro e
por um triz.
o tempo no encalço
já não era
prazer e beleza
brotaram aurora!
por Alessandra Espínola
Na noite escura
Vagando pelos becos
À procura de si mesmo
Perdido dentro de seu corpo
Quando acordarmos
Seremos apenas um
Ou ainda estarei sonhando...
por Fabiano Alemão
Postado ao som de "The Thin Ice" com Pink Floyd
Escrito por Alessandra Espínola às 09:57
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Ainda
Na orla do inevitável
entre o sim e o não
aportei me no teu cais
no finzinho da noite-dia
quando o sol me cutucava
pelo espelho de águas mansas
numa névoa de despedida e,
no seu olhar de céu
ainda fui lua...
Escrito por Alessandra Espínola às 07:59
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Mesmo adulta
minha poesia é
sempre prematura.
Escrito por Alessandra Espínola às 22:44
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Indecência
Faminto e voraz...
o olhar rasgado
perscrutava em gomos,
a laranja suada.
Desejo em chuva...
o reflexo do frango
à venda na vitrine.
Vida vira-lata.
O homem revirou o lixo.
Escrito por Alessandra Espínola às 16:07
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Haicais
Guri na praia
joga areia no ar
cata vento!
...
Duas mulheres
debaixo do guarda sol
guardam a sombra.
Escrito por Alessandra Espínola às 22:00
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Enlevo
No toque firme e doce
das tuas mãos estáveis,
na tua boca acesa,
no calor do teu torso esguio,
túmido...
na tua frutescência
me quedo ferina e frágil
enlevo-me e,
derreto cáustica,
sumarenta...
Escrito por Alessandra Espínola às 23:00
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
A vida se refez no escuro do meu quarto. As gavetas repletas de fotografias manchadas, utensílios quebrados, uma penumbra sufocante de tristeza amarga, morcegos de solidão com as asas enferrujadas que ruíam noite inteira, sem trégua.
A bagunça do quarto e a pouca claridade me impediam de achar a mim mesma e a vida urgindo lá fora. As cortinas empoeiradas retorciam a luz que o sol cochichava pelos cantinhos, pelas frestas de esperança da janela. A chuva insistia.
Uma flor brotou, você abriu porta e janela através de sua beleza pacífica, acolhedora, forte, feminina. Fez-me te amar sem sofrer, sentir saudades sem entristecer, mas ter paz, sorrir, rejuvenescer. Encontrar-te foi um encontro comigo mesma, hoje minha vida exala tua fragrância de flor.
Criou raiz no xaxim do meu coração, trouxe beleza e vida para meu quarto de menina, aonde o sol hoje vem brincar comigo e aquecer-nos de amor e, a chuva saciar a sede de viver, no alvorecer te rego com a vida que corre no meu sangue, te alimento sempre minha, te deixo mais bela, mais viva dentro de mim até meus últimos dias, quando o sol se pôr.
Escrito por Alessandra Espínola às 14:22
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Eis a questão
Não vês
que hoje
para ser
é ter ou
não ter?
Escrito por Alessandra Espínola às 23:50
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Modelagem
A flama castanha do teu olhar
derretia o barro de íris escura e,
a escultura que suas mãos modelavam
deslizando sem pressa na pele tênue
onde a alma é mais profunda,
era uma urgência de nós dois.
Escrito por Alessandra Espínola às 09:24
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Fruto menino
Mãos de tempestade
Olhos de mar de mel
Cabelos de raios de sol...
Cheiro do alvorecer
da relva fresca
do verde capim...
Sorriso de menino
de brinquedo e brisa
Lábios de fruta
Doce, suculenta,
carnuda, carmim...
Um fruto menino!
Escrito por Alessandra Espínola às 09:07
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Haicais
Horizonte
o mar corta o céu
de norte a sul.
...
Negro cantador
na roda de capoeira
brada liberdade.
Escrito por Alessandra Espínola às 08:52
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Partida
O peito engasga a palavra
os olhos engolem sua sombra
se desmanchando na esquina
Sob a cama
pétala seca,
um café amargo
da doçura alheia,
o forte aroma
do que parece ainda
o corpo
desembrulhado no lençol
lambuzado de festa,
um origami,
abandonado
danificado.
Escrito por Alessandra Espínola às 17:05
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|

Porto
Cobertos de céu
no sedoso destear da tarde
histórias e sonhos repousam
no atracadouro.
Escrito por Alessandra Espínola às 08:52
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Lá onde a hora rompe
onde o desejo dilata
onde o veio do corpo range
Lá onde o vinco do olhar descobre
onde a solidão infinda
onde a palavra emudece
Lá onde a gente brota
onde a dor demora
onde o amor concebe
Lá onde a lágrima sacia
onde tudo é pouco
onde a vida é agora e sempre
Lá onde principio
é onde sou o fim.
Escrito por Alessandra Espínola às 08:48
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Diálogo
O ruflar das asas
do meu grito mudo
descabelou lentamente
o telhado enferruijado
do teu silêncio.
Escrito por Alessandra Espínola às 09:53
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
A precipitação salgada
ruiu docemente
no escuro som da praia
onde a estrela do mar
brilhava sozinha
sob o olhar vítreo da sereia
banhada de lua cheia de lágrima.
Escrito por Alessandra Espínola às 12:47
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Como ludibriar
esse desejo
que espreita
estranho,
se esgueirando
nos umbrais
das minhas entranhas?
Escrito por Alessandra Espínola às 08:59
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
De bruço
dorme...
debruça
sobre
dobras
gozas
frágil
abraçado
ao travesseiro,
desperta dor!
Escrito por Alessandra Espínola às 23:26
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Haicais
Sonho infante
no castelo de areia
reina liberdade.
...
Imaginação
menino solta pipa
no céu voa dor.
Escrito por Alessandra Espínola às 12:48
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Aurora
Escorre orvalho
das folhas de pálpebras
que o vento carrega.
Escrito por Alessandra Espínola às 13:40
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
 |
| [ ver mensagens anteriores ] |