Coquetel Poético


Lana

É a parte arte,

física, lírica e lúdica do amor

é a parte que sangra e pulsa

mais que viva!

Íntima e pública

é a parte de dentro

é o encontro na saída

é o sonho que se expõe

com força e gana

e nada, nada há de melhor

do que é agora e sempre

Lana!

 

*Dedicado a Daniela Alves Cardoso e a sua filha Lana



Escrito por Alessandra Espínola às 16:18
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À noitinha

Debaixo dos lençóis
minha vida
se descobriu
em sonhos.


Escrito por Alessandra Espínola às 22:12
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Receita

Uma pitada de olhar
Uma colher de sopa de aperto de mão
Uma xícara de atenção
Uma jarra de sorriso
Cobertura de abraços
O modo de fazer...
A gente inventa.


Escrito por Alessandra Espínola às 21:38
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Retalhos

Nuances
Relances
Colapsos
        
Resquícios
Juízos
Afoitos

Contrário
Meu passo
Torto

Negócios
Lances
Destroços

Cactos
Suas carícias
Parceladas

Furtuitos
Beijos
Repicados

Migalhas!

Partes
Malditas
Metades
Cangalhos

Mais cortes?
Nem morta!


Escrito por Alessandra Espínola às 08:07
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Esmerar

 

Como uma concha

Aninho-te

No meio de mim

 

Do mar

O sal, o sol ardentes.

Uma pérola saliente

Salivando

No âmago carnudo e brilhoso

 

Envolvo-te

Amo-te

Como é bom te esmerar

Na maciez dos meus momentos.



Escrito por Alessandra Espínola às 14:16
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Entre pernas

Entre minhas coxas
febril e fértil
movimentos incoerentes
cada gota invade,
subitamente,
meu corpo
convulso e débil.

 

 

 



Escrito por Alessandra Espínola às 19:36
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O que a gente faz quando está com sono e não consegue dormir

ou quando perdeu o sono?

Sonha que está dormindo?



Escrito por Alessandra Espínola às 08:46
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O grito de ser

 

Grita com os olhos

O que traz entranhado na carne.

Um rasgo de impulso...

Na alma, um uivo...

Na face alva, ânsia...enlevo...

 

Inconstância...

Protuberância...

Urgência...

De quem transborda

E logo tem de ser livre...

 

Percorre os montes de desejos...

Brinca de esfinge e,

Sempre me devora

Pela teimosia de apenas ser,

sentir...brincar...

 



Escrito por Alessandra Espínola às 22:52
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A mão do poeta

 

A mão do poeta inquieta-se

acaricia o vento, a flor

a relva, a pedra

o tronco da árvore

a aspereza da ira

num rosto árido.

A mão do poeta não dorme,

sacia a fome do desejo

molha os lábios da ânsia

de viver!

A mão do poeta dança sobre

um teclado, um papel

um tecido, sobre a terra,

sobre um corpo fértil.

A mão ávida do poeta sente as palavras

e as desliza na ponta dos dedos

costurando um céu noturno e íntimo

sob a lua farta de janeiro.



Escrito por Alessandra Espínola às 13:32
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Poetrix

Ao encontro do soldadinho

a joaninha voa caprichosa

num vestido de bolinhas escarlate.



Escrito por Alessandra Espínola às 23:09
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Poema curto

 

No primeiro talho de luz

O sol desvirgina a manhã

Derramando o cálice de aurora

Entre lábios de folhas pálidas.

 



Escrito por Alessandra Espínola às 12:19
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Sem rumo

 

Estou cansada

As pálpebras me abatem

O caos cai sobre mim

a liberdade tenta arrombar a porta

gritando do outro lado da fechadura e

A vida me cobrando respostas

Bate arrebentando o peito.

 

A cabeça pende

Confusa, torpe

Despencando

Num rodamoinho

De questionamentos de cotidianos

De outros cotidianos

Sem prumo

Sem rumo

E numa penca de sonhos

despenco e

Durmo.

 



Escrito por Alessandra Espínola às 12:11
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Quero ir embora, sair daqui, mas não sei pra onde ir, nem tenho onde ficar.

Quero partir, mesmo sem saber pra onde.

Quero me encontrar com o longe.

Quero partir, ir lá. Sei que não quero ficar.

 



Escrito por Alessandra Espínola às 22:55
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Hoje estive entre o sonho e o som

Entre um lapso de um sorriso e um cheiro

Entre um lance de olhar e um gesto apressado

Me parti em milhares de cacos

Quando vi seu corpo num movimento de adeus

Nem esperança de voltar

Nem um sinal

Nem uma palavra de retorno, nada...

Exagerada e infantilmente

Esperneei cá dentro

E não chorei a lágrima ardida, sufocante

O gosto amargo veio na garganta

Da tua despedida.



Escrito por Alessandra Espínola às 19:50
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Dissoluta

 

Me espreguicei nua

no sofá da sala

e me dei meu carinho

desmesurado e devasso.

 

A janela aberta

o vento suave

o nácar da lua

afagando a nuvem

acariciando meu pêlo

eriçando meu peito

o desejo em riste

alçando o céu,

 estrelas e

sonhos...

 



Escrito por Alessandra Espínola às 12:45
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Indizível

Algo me persegue
Como a lembrança de que esqueço algo
Procuro-me
Toco-me
Decifro-me
Louca, lânguida e extremada...
Na calma úmida e inocente da madrugada
Sou nuvem densa
Encharcada e flutuante
Molho a noite
Desabafando em chuva
E num grito inefável
Rompendo aurora
Nasço bicho
No meu corpo de mulher.



Escrito por Alessandra Espínola às 15:14
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Do amor, essa coisa líquida

 

...é a hora escorrendo todo dia

o romper no respirar dos sentidos

alcança a beleza inédita, sutil

inunda um sertão de cadáveres,

liquidez que renasce

refaz com ternura,

coragem e,

alvoroço...

o osso, o corpo, a vida...

 

 



Escrito por Alessandra Espínola às 11:10
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Mar de mel

 

Seu sorriso de abril floresceu

Na minha memória adolescente

Abriu-se um mundo sem fim

De braços e costas

 

Pele e peito estonteantes

Pescoço tal coluna de bronze

Face de uma penugem rara

É todo um feitiço...uma mandinga...

É todo quimera ...quintessência

 

No teu corpo tumefacto

Minha alma fica nua

Descoberta e instigada

Pelo fulgor da meia-lua

Acontecendo noite adentro

Rasgando meu céu em gomos

Esmerando, ebolindo

Nas pétalas desabrochadas

Das flores obscenas dos nossos lábios

Me lanço e navego

Na bruma do teu olhar...

alto-mar de mel.

 



Escrito por Alessandra Espínola às 14:09
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