Coquetel Poético


Ouve-se um trincar no peito

racha a coluna dos portais

da cidade devastada.

Um céu de fantasmas

nublando os umbrais da porta

enferrujando fechaduras,

as chaves quebradas

jaz na boca do lobo.

Os sinos,

partidos ao meio

e estilhaçados

por um raio plácido,

todos dizimados

entregues à estátua de um padre tolo

no centro da praça

ainda sangram.

Aos pés-altar, o boné e a saia da menina descalça

farrapos...

 

A única coisa viva

parece o choro

que vem da soleira da porta

do botequim fechado

na esquina da rua que cruza a cidade

ela faz ponto todo dia - a puta que não pariu-

não vem nem a peste,

nem a morte, nem um veículo

passa por ali.

De companhia, só silêncio e solidão.

 



Escrito por Alessandra Espínola às 10:12
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Aplaca o desejo nesse instante

logo outra vez vem

o mal é querer

o que foi antes

e tratar o agora

com desdém.



Escrito por Alessandra Espínola às 09:58
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A vida já lá pelos trinta

ainda é só intento.



Escrito por Alessandra Espínola às 09:56
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Tropeço no caos

e caio no infintio

o sono me acode

acordo só, solapada

com meus botões despregados

da camisa de força.



Escrito por Alessandra Espínola às 09:55
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A vida é loucura

o resto é lucidez.



Escrito por Alessandra Espínola às 21:37
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MEU PERFIL

 

É preciso olhar de frente.



Escrito por Alessandra Espínola às 22:23
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Convocação

Seleção Brasileira Basicamente Estrangeira.



Escrito por Alessandra Espínola às 22:21
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Último vôo

 

Adormeci na palma de tua mão

não sei o que me atingiu

um golpe átimo

meio arabesco de asas

outra metamorfose veio rápido

um tiro de agrotóxico

um sopro do pulverizador

um pé sem chão

um machado ou serra

devastação.

 

Adormeci na palma de tua mão

quente e aberta

mas minhas asas não ruflavam

pretas presas

a secar no ex-casulo gélido

na solidão inatingível

na  grade invisível

no jardim grilhão.

 



Escrito por Alessandra Espínola às 00:23
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carta a um amigo,

 

minha cama cheira à luz

bordada de calor

me enrosco toda

no pio dos pássaros

brincando no ninho frente à janela

a vida acorda nesse canto

no acorde do teu sorriso

a despetalar meu pranto

no embalar destemido

na rede de confiança e apego

na esperança das tuas cantigas

no aconchego do teu manto,

me entrego sempre quando

revelo-me aos poucos e muito

acho mesmo é que te amo!

 



Escrito por Alessandra Espínola às 09:17
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