Ouve-se um trincar no peito
racha a coluna dos portais
da cidade devastada.
Um céu de fantasmas
nublando os umbrais da porta
enferrujando fechaduras,
as chaves quebradas
jaz na boca do lobo.
Os sinos,
partidos ao meio
e estilhaçados
por um raio plácido,
todos dizimados
entregues à estátua de um padre tolo
no centro da praça
ainda sangram.
Aos pés-altar, o boné e a saia da menina descalça
farrapos...
A única coisa viva
parece o choro
que vem da soleira da porta
do botequim fechado
na esquina da rua que cruza a cidade
ela faz ponto todo dia - a puta que não pariu-
não vem nem a peste,
nem a morte, nem um veículo
passa por ali.
De companhia, só silêncio e solidão.
Escrito por Alessandra Espínola às 10:12
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