Infância
Chão morno, sol e areia
Deslizando na ampulheta
Som das manhãs na praça
Cheiro de árvores e alegria
Sabor das plantas
A língua vermelha e verde
Palavras sozinhas, espalhadas
Atravessa a rua,
A escola, a praça, as casas
O rio corre, solto.
Gentes cantam,
Andam esperançosas nas calçadas
De calças com bocas largas
O vento leva as lágrimas
Automóveis e bicicletas
Circulam na via
Perto do meio dia
O dia desanda a correr, desembestado
Sol, suor e choro
Alívio no abraço, consolo
A escola é um alvoroço só
A infância corre atrás do cão
E puxa-lhe o rabo...
Late assustado e vai embora
Destrambelhado com três patas
Incansável, corre atrás dos pardais
E no bater das asas
deixam voar sonhos...
Pudesse ser assim a vida inteira...
Escrito por Alessandra Espínola às 17:38
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