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Estertor de pássaro arremessado na íris
o instante nascente à beira
vida me olhando de dentro.
No cume, clímax do Grande Gozo
fixo meu olhar no nada,
a essa substância me lanço
e descubro o inexorável.
Escrito por Alessandra Espínola às 13:48
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instante existir de estrela
tronco bruto retorcido ao sol
silencioso punhado de areia
pólen, escamas, teia
tosca delicadeza sou
Escrito por Alessandra Espínola às 08:34
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olhares II
olhos aguados debruçados na beira da infância vertigem no de dentro líquido tenro
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rútilos olhos escuros encravados de apetite na carne da palavra
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olhos de púrpura habitados de doçura beijam a boca da noite
Escrito por Alessandra Espínola às 08:37
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olhares I
gota d'água espatifada última breve temporada grito de pássaro estirado nos olhos
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olhos invernais seca e escuridão sopros de vida encarnados na pedra
Escrito por Alessandra Espínola às 08:51
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Porção
Vida é disjunção porçãozinha do infinito Nada. Luz, sombra sal, areia, alga. Abertura de águas.
Escrito por Alessandra Espínola às 12:54
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Leveza,
pontes suspensas
nas pálpebras.
Escrito por Alessandra Espínola às 08:42
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Releitura: Brincando com Drummond
Quando nasci Não veio anjo nem nada. Dizem que chorei. Até hoje, torta e tonta na vida tenho na boca o sal da lágrima, o gosto de pedra e essa palavra a meio do caminho dizendo: desempedra e vai ser pétala na vida! Com licença, (Drummond) Eu sou.
Escrito por Alessandra Espínola às 10:19
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Na sonoridade de esboço da natureza,
tenho quase nada,
bruma, sopro e sombra.
Montanha sépia violeta -
ilha, horizonte, água.
Escrito por Alessandra Espínola às 06:24
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Fui sombra de pássaro
nas tuas mãos, ó criança!
Depois de bater asas,
atravessou-me teu vagido, no nada.
Escrito por Alessandra Espínola às 14:54
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A você que me permite:
E vai me abrindo sedosa - pétala por pétala – a tua língua silenciosa.
Escrito por Alessandra Espínola às 12:41
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